A secretária-executiva e ministra interina do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, participou da 1ª Reunião Ordinária de 2026 do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), realizada nesta terça-feira (10).
Representando a ministra Márcia Lopes – que está participando da 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70) da ONU em Nova Iorque (EUA) – Eutália apresentou aos participantes uma mensagem em vídeo da ministra destacando a importância da mobilização do Governo do Brasil e da sociedade no enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio.
Na gravação, Márcia Lopes ressaltou a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na construção de ações articuladas para enfrentar o problema. Segundo ela, o presidente tem chamado os homens e toda a sociedade para dialogar sobre o tema, citando como exemplo o lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa que reúne os Três Poderes no combate a esse tipo de violência.
Em sua fala, Eutália Barbosa lembrou que o Dia Internacional das Mulheres não foi dado às mulheres, como muitos pensam. Ao contrário, representa uma conquista histórica das mulheres contra um sistema de opressão. “O 8 de março é uma data em que celebramos a luta histórica das mulheres pela construção de um mundo sem desigualdade de gênero, e sobretudo, pelo enfrentamento a um sistema que tem como base de sustentação a opressão de corpos femininos em vários contextos”, afirmou, referindo-se também à desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
1ª reunião do Consea em 2026
A 1ª reunião do ano do Consea ocorreu no mês de celebração do Dia Internacional da Mulher e contou com uma mesa de abertura composta exclusivamente por mulheres.
O encontro foi aberto pela secretária nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas da Secretaria-Geral da Presidência da República, Kelli Mafort.
Durante sua fala, Mafort destacou a mobilização realizada no último domingo (8), em referência às manifestações do Dia Internacional da Mulher, e reafirmou o compromisso com o enfrentamento à violência de gênero. “A violência dói, fere e mata, mas não nos calaremos, e junto com os homens faremos esse processo de transformação”, afirmou.
A secretária também abordou a luta pelo direito humano à alimentação e pela soberania alimentar. Segundo ela, o tema ganha ainda mais importância no contexto atual, marcado pela financeirização da economia e pela influência de fundos financeiros sobre diversas dimensões da vida social, incluindo as cadeias de produção de alimentos.
Plenária especial
Ao iniciar a reunião, a presidenta do Consea, Elisabetta Recine, destacou os significados do encontro, que marca o início dos trabalhos do conselho em 2026 e foi planejado de forma conjunta por diferentes espaços de participação social.
A organização contou com a participação do Consea, da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e com a colaboração do Conselho Nacional de Economia Solidária.
Recine também lembrou a importância de celebrar avanços recentes, como a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU em 2025, ao mesmo tempo em que destacou a necessidade de manter a mobilização social e a defesa da democracia para garantir a continuidade das políticas públicas de segurança alimentar e nutricional.
“Não foi por um acaso ter 33 milhões de pessoas passando fome. Não foi normal, nem natural, nem culpa da pandemia, começou antes. É necessário guardar essa memória recente”, afirmou.

- Foto: Rui Castro/SG-PR
Transição dos sistemas alimentares
A segunda parte da programação foi dedicada ao tema “Iniciativas atuais rumo à transição justa e popular dos sistemas alimentares”, com a participação do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
Também presente nesta etapa, o secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República, Josué Rocha, destacou o papel da pasta na coordenação da participação social no governo federal.
Rocha ressaltou ainda a força dos conselhos e movimentos sociais, que, segundo ele, foram fundamentais para resistir ao desmonte das políticas públicas de segurança alimentar ocorrido no governo anterior.
Ao abordar a transição justa dos sistemas alimentares, o secretário-executivo afirmou que o tema se tornou urgente no cenário internacional, especialmente diante do enfraquecimento do multilateralismo nas relações entre países.
“A agenda da soberania e da soberania alimentar entram na ordem do dia e, para discutir a soberania alimentar, precisamos discutir a transição justa dos sistemas alimentares, que conta com esforços tanto dos movimentos sociais quanto do governo federal”, afirmou.
Fonte: Ministério das Mulheres

