Ministra Márcia Lopes participa de ato de mobilização pelo Pacto Brasil contra o Feminicídio em Curitiba

Foto: Caroline Menezes/ Ministério das Mulheres

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta sexta-feira (27), em Curitiba (PR), do Ato de Mobilização pelo Pacto Brasil Contra o Feminicídio. O evento, que também contou com a presença da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi promovido pela Itaipu Binacional e marcado pela adesão da estatal ao Pacto Brasil Contra o Feminicídio

O evento foi promovido pela Itaipu Binacional e marcado pela adesão da empresa ao Pacto Brasil Contra o Feminicídio, além do relato de uma mulher que conseguiu sobreviver a uma tentativa de feminicídio.   

As ministras estavam acompanhadas do diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri, além de autoridades dos governos federal e estadual. Realizado no Espaço Torres Kennedy e aberto ao público, o ato promoveu um dia de debates, palestras e atividades culturais voltadas à conscientização e ao fortalecimento de políticas públicas de proteção e autonomia das mulheres.

A ministra Márcia Lopes  destacou a importância da articulação do governo federal, sob liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre os Três Poderes para avançar no enfrentamento à violência de gênero e cobrou a aprovação de propostas em tramitação.

“No Legislativo, nós temos uma lista de pelo menos 15 leis em tramitação e que precisam ser aprovadas. Uma delas é a lei que criminaliza a misoginia, que foi aprovada por unanimidade no Senado”, disse.

Ela também alertou para resistências e fez um apelo à mobilização social: “Nosso apelo é para mobilizar a sociedade civil para que, nos próximos dias, a lei que criminaliza a misoginia seja votada na Câmara”.

Violência digital

A ministra Márcia Lopes ainda chamou atenção para a violência digital e reforçou a necessidade de um pacto coletivo para garantir direitos e igualdade: “O que nós queremos são as mulheres vivas, as mulheres ganhando salário igual ao dos homens, as mulheres tendo espaço na educação, na saúde, em todos os lugares”.

Em sua fala, Gleisi Hoffmann também destacou o papel do presidente Lula e da primeira-dama Janja no avanço dessa pauta. “Quero começar fazendo dois reconhecimentos e dois agradecimentos. O primeiro reconhecimento e agradecimento é à companheira Janja, que utilizou sua voz pública e seu posicionamento estratégico para colocar o enfrentamento ao feminicídio como algo central em nosso governo. O segundo reconhecimento e agradecimento é ao Presidente Lula, que, sensibilizado com o tema, reconhece toda a luta que fazemos. Ele colocou o tema como centralidade de suas manifestações políticas. Eu sou testemunha: em todas as vezes que participo com o Presidente Lula de qualquer ato ou ação, ele fala sobre a necessidade de se fazer o enfrentamento ao feminicídio”, disse Gleisi.

Depoimento: “Eu sobrevivi”

Um dos destaques da programação foi o relato emocionante de Amanda Santos Abreu, que conseguiu escapar de uma tentativa de feminicídio. Ela falou sobre a importância de trazer os homens para o centro do debate, como forma de conscientizá-los sobre a urgência de se romper o ciclo de violência contra as mulheres. 

“Mulheres, vamos nos ajudar! E quanto aos homens, como foi falado, temos que fazer reuniões com eles, sim. Precisamos falar com os homens porque, hoje em dia, nessa porcentagem de agressores, eles se sentem donos das mulheres, e não é assim que funciona. A mulher tem sua vida, a mulher tem que trabalhar, tem que ter seu dinheiro e sua autoestima elevada”, afirmou.

Amanda também falou sobre sua superação e o que a motiva a seguir em frente: “Sinto-me grata por estar aqui hoje e poder dizer a vocês que, sim, eu sobrevivi a uma tentativa de feminicídio. Cuido da minha filha de oito anos, a Lorena, que é uma criança autista e com paralisia cerebral. A cada dia que passa, tenho mais força para lutar por ela e por mim”.

Adesão da Itaipu Binacional ao Pacto    

Outra ação concreta durante o Ato de Mobilização foi a adesão da Itaipu Binacional ao Pacto. O diretor-geral da empresa, Enio Verri, afirmou que a iniciativa representa um compromisso com o desenvolvimento aliado à igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência.

“Não conseguiremos construir uma sociedade mais justa com os índices de violência que temos, em especial contra as mulheres e, muito especificamente, no que tange às questões de raça e orientação sexual. É como se a violência estivesse sendo implantada novamente dentro de cada pessoa, e matar, ofender ou machucar os outros parecesse algo natural”, ressaltou.

Outros debates   

A agenda da ministra Márcia Lopes em Curitiba incluiu ainda participação no talk show “De Mulher para Mulheres: Desafios do Protagonismo!”, realizado na sede dos Correios, e presença na mesa de encerramento do VII Março das Mulheres, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o tema “Políticas Públicas em Defesa dos Direitos das Mulheres”. 

Violência política de gênero 

Em seu discurso na UFPR,  a ministra chamou a atenção para os casos de violência política, citando a hostilidade sofrida pelas parlamentares que exercem mandato no Poder Legislativo e destacou as ações de proteção e enfrentamento à violência, incluindo a reconstrução de políticas públicas, a partir de 2023, para assegurar os direitos de meninas e mulheres.

“O país foi praticamente dizimado entre 2016 e 2022. Nós tivemos que fazer um grande trabalho de reconstrução. A criação do Ministério das Mulheres foi uma decisão importante do presidente Lula para fortalecer as políticas públicas para meninas e mulheres”, destacou a ministra.

Entre as iniciativas implementadas pelo Ministério das Mulheres estão o fortalecimento da Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180, a ampliação das Casas da Mulher Brasileira e dos Centros de Referência da Mulher Brasileira, além da assinatura do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio.

A ministra também mencionou a regulamentação da Lei nº 14.164/2021, assinada com o Ministério da Educação, para inserir o conteúdo de equidade de gênero nos currículos escolares, além do protocolo firmado com universidades e institutos federais para combater todo tipo de violência nas instituições de ensino. Ainda em sua fala, Márcia Lopes ressaltou as medidas que integram o Plano Nacional de Cuidados, incluindo a ampliação das Cuidotecas em universidades e institutos federais.

Aula Magna na UFPR

A programação foi encerrada com a aula magna do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFPR, no Salão Nobre do Departamento de Contabilidade, com foco no enfrentamento à violência contra as mulheres.

Fonte: Ministério das Mulheres