
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) promoveu, na última terça-feira (24/3), a segunda reunião com especialistas para debater as perspectivas climáticas para 2026 e o risco de incêndios florestais em todos os biomas brasileiros. O encontro virtual reuniu mais de 80 técnicos e representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além da sociedade civil e instituições de pesquisa para alinhar diagnósticos e estratégias de atuação.
Os dados mais recentes confirmam as análises da última reunião e indicam que o cenário de altas temperaturas em todo o país se mantém, com chuvas abaixo da média e temperaturas acima dos níveis históricos, especialmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.
As informações também indicam que, entre abril e junho, a previsão é de chuvas acima da média na Amazônia e abaixo da média nas demais regiões do país.
Os especialistas destacaram, no entanto, a presença de áreas de seca severa concentradas entre Pará e Mato Grosso, além da situação do Pantanal e Matopiba, que seguem como principais pontos de atenção. Essas regiões acumulam déficit hídrico de longo prazo e registram aumento significativo das temperaturas nos últimos anos, o que eleva o risco de incêndios.
Outro fator preocupante é a possível ocorrência de um El Niño no segundo semestre. O fenômeno tende a prolongar a estação seca e intensificar o risco de fogo, especialmente entre outubro e novembro, período historicamente mais crítico no Pantanal, Cerrado e no leste da Amazônia.
As informações apresentadas irão subsidiar a atuação do MMA e de suas unidades vinculadas no planejamento e na implementação de ações de prevenção e combate aos incêndios florestais em 2026, em articulação com estados, municípios e a sociedade civil.
O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, destacou o processo de implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). “Avançamos com instrumentos importantes, como a recente aprovação da Estratégia Nacional de Brigadas Voluntárias”, afirmou.
Segundo ele, o Governo do Brasil vem estruturando ações em diferentes níveis. “Estamos organizando uma base institucional mais robusta e, ao mesmo tempo, fortalecendo iniciativas nos territórios, com foco na preparação, organização e resiliência das comunidades, ampliando a capacidade de resposta aos incêndios”, completou.
As previsões climáticas e os indicadores de perigo de fogo foram apresentados por representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).
Também participaram representantes da Casa Civil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de órgãos estaduais, federais, pesquisadores, sociedade civil e membros do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif).
Ações de prevenção e combate aos incêndios florestais
Desde 2023, o Governo do Brasil conduz uma série de medidas para prevenir e combater os incêndios florestais. Confira:
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contratação do maior contingente de brigadistas federais da história, formado por 4385 profissionais – 2600 do Ibama e 1.785 do ICMBio, um aumento de 26% em relação ao ano de 2024.
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a infraestrutura para 2025 incluiu sete novos helicópteros para uso do Ibama em ações de enfrentamento aos incêndios e desmatamento. A renovação da frota aumenta em 75% a capacidade de transporte de agentes e brigadistas, em 40% a quantidade de horas de voo por ano e em 133% a capacidade de lançamento de água.
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desde 2023, o Fundo Amazônia aprovou R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate a incêndios florestais. Destes, já foram contratados 370 milhões. São projetos no valor de R$ 45 milhões cada para Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins e de aproximadamente R$ 21 milhões e R$ 34 milhões para Acre e Rondônia, respectivamente.
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pela primeira vez, o Fundo Amazônia apoiará também ações de prevenção e combate a incêndios em estados fora da Amazônia, como no Cerrado e Pantanal. Em julho, foram aprovados R$ 150 milhões para os Corpos de Bombeiros Militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal. O projeto, de autoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi apresentado por meio de um trabalho interministerial.
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sanção da Lei 15.143/2025, que amplia a capacidade de respostas aos incêndios florestais, permite a transferência de recursos diretamente do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para estados e municípios e garante mais agilidade na contratação de brigadistas, reduzindo o intervalo da sua recontratação para três meses. A lei permite ainda o uso de aeronaves estrangeiras em emergências ambientais.
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anúncio dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), pela primeira vez, para todos os biomas brasileiros, com estratégias específicas para a preservação ambiental em diferentes eixos até 2027 (acesse aqui);
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desde janeiro de 2025, o MMA realizou sete reuniões com especialistas de órgãos públicos e universidades para avaliar a situação climática e previsões futuras, além de seu impacto sobre a ocorrência de grandes incêndios florestais de comportamento extremo;
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publicação de edital que prevê recursos no valor de R$ 32 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) em conjunto com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) para apoio a municípios prioritários na Amazônia e Pantanal na implementação de Planos Operativos de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (junho de 2025);
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retomada da Sala de Situação Interministerial sobre Incêndios do Governo do Brasil, integrada por 10 ministérios e outros seis órgãos federais (maio e junho de 2025). O grupo se reúne de forma periódica para monitorar a evolução do quadro climático e sua repercussão sobre o risco de incêndios, bem como para apoios mútuos em ações de prevenção e combate;
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conclusão dos Planos de Prevenção e Combate a Incêndios dos Biomas Pantanal e Amazônia para a temporada deste ano, elaborado conjuntamente entre o Governo do Brasil e os estados que abrigam o bioma (maio de 2025).
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veiculação de campanha de prevenção e combate aos incêndios florestais criminosos na Amazônia Legal voltada ao Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Roraima, estados que mais sofreram com os incêndios no último ano (abril de maio de 2025);
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publicação de portaria pelo MMA (nº1.623/2026) que declara emergência ambiental por risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis. A norma identifica áreas em risco de incêndios em todo o país e os períodos de maior vulnerabilidade para viabilizar a contratação emergencial de brigadistas federais.
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Decreto n° 12.189, assinado pelo presidente Lula, que aumenta as punições por incêndios florestais no país;
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aprovação da resolução que institui a Estratégia Nacional do Voluntariado no Manejo Integrado do Fogo. A medida amplia participação da sociedade na prevenção e combate a incêndios florestais e estabelece diretrizes para brigadas voluntárias.
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