14/12/2016 07h20
O democrata Zé Teixeira deve ser mantido na primeira secretaria
Conjuntura Online
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul deve reconduzir nesta quarta-feira (14) o deputado estadual Júnior Mochi (PMDB) à presidência da Mesa Diretora da Casa depois de uma articulação bem sucedida envolvendo líderes políticos tanto da base aliada do governo quanto da oposição.
Encabeçadas pelo secretário Sérgio de Paula (Casa Civil), as articulações também mantém o democrata Zé Teixeira (DEM) na primeira Secretaria, segundo cargo mais importante do legislativo estadual.
Em chapa única, a composição da Mesa Diretora contempla todos os partidos com assento da Casa, praticamente considerada uma praxe desde a criação da Assembleia a partir da divisão do Estado.
Inteligente e grande articulista político, o peemedebista agora navega com facilidade entre duas correntes políticas, incluindo o ex-governador André Puccinelli (PMDB) e o atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB), de quem é amigo desde que os dois foram prefeitos em dois mandatos consecutivos em Coxim e Maracaju, respectivamente.
Mochi foi parceiro de primeiro hora na campanha da vice-governadora Rose Modesto (PSDB) à prefeitura de Campo Grande, contrariando Puccinelli que, embora tivesse liberado o seu grupo político durante o último pleito, teria aconselhado Mochi a não apoiar a tucana na disputa contra o prefeito Alcides Bernal (PP), o deputado estadual Marquinhos Trad (PSDB), entre outros concorrentes.
Apesar da ligação com Puccinelli, Azambuja confia na fidelidade de Mochi, com quem atuou na Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul) ao longo de oito anos de mandato, mesmo que em diretorias distintas.
Com a iminente reeleição de Mochi, o alto tucanato espera manter a governabilidade administrativa em Mato Grosso do Sul, sendo apoiado pela maioria das bancadas na Assembleia, inclusive a do PMDB de Puccinelli.
Interlocutores do governo dão conta do iminente ingresso de Mochi nas fileiras do PSDB, a maior bancada da Assembleia com 8 representantes — Ângelo Guerreiro, Beto Pereira, Felipe Orro, Flávio Kayatt, Maurício Picarelli, Mara Caseiro, Onevan de Matos e Professor Rinaldo.
A eventual saída de Mochi do PMDB, no entanto, seria um golpe fatal nas pretensões do partido que aposta em revigorar suas forças visando as próximas eleições.
DESGASTE
Apesar de desgastado pelas denúncias de desvio de dinheiro público ao longo de seu mandato, Puccinelli ensaia disputar o governo do Estado nas eleições de 2018, num confronto direto com Reinaldo Azambuja.
No entanto, há quem garanta que o ex-governador não sobreviverá a novas ações que estariam por vir depois da trégua dada pela Operação Lama Asfáltica, que já mandou para cadeia o ex-deputado federal Edson Giroto (PR) e o empresário João Amorim, ligados ao líder peemedebista.
Desde que foi deflagrada em julho deste ano, a Operação Lama Asfáltica emperrou. A última ação ocorreu no dia 7 de julho deste ano.
A ação, denominada “Aviões de Lama”, está relacionada à venda de aeronave avaliada em R$ 2 milhões. O objetivo era impedir que os envolvidos pudessem se desfazer dos bens adquiridos por meio da corrupção.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação apontou que a revenda de bens continuou mesmo após a deflagração da primeira fase da operação Lama Asfáltica, em julho de 2015.


