23/04/2018 16h50
‘Não foi fácil colocar meu corpão para jogo’, diz Bruna Erhardt
O Globo
Não parecia, mas a catarinense Bruna Erhardt, de 30 anos, estava “extremamente nervosa” na passarela da Água de Coco, na abertura da São Paulo Fashion Week. “Estava cercada por meninas com abdômen trincado e com receio das críticas”, explicou. Era uma situação nova para Bruna, que fez seu primeiro desfile de moda praia depois de virar modelo curve.
— Não foi fácil colocar meu corpão para jogo, sabe? Tenho meus medos e inseguranças, mas estou feliz hoje — desabafa Bruna, que, dos 14 aos 27 anos, travou uma verdadeira batalha com a balança para ser aceita pela indústria da moda. — A imagem que todo mundo enxergava não era real. Estava lutando contra a natureza. Tenho coxa e bumbum. Era cobrada para estar nas “medidas certas”. Fazia as dietas mais loucas, tomava remédio para emgrecer e apelava até para simpatias. Tudo para me enquadrar no perfil, mas nunca era suficiente.
Um dia, Bruna cansou dessa “função”. O corpo e a mente sentiram os efeitos, estavam esgotados. Ela ficou “extremamente” deprimida e decidiu sair de cena, abandonando a carreira:
— Ganhei 20 quilos e tive dificuldade para entender as novas dimensões do meu corpo. E olha como são as coisas: começaram a aparecer algumas oportunidades de trabalho, e eu retornei, em maio de 2017. Na volta, tentei ser modelo plus-size, mas não era gorda o bastante; não sabiam onde me encaixar. Agora, visto 42 e estou na categoria curve.
A catarinense é da mesma geração das tops Carol Trentini, Cintia Dicker e Emanuela de Paula. Chegou a fazer desfiles importantes, como os da Calvin Klein, Prada e Marc Jacobs; e ficou como opção para a Chanel e Louis Vuitton:
- Eu sempre me destacava no começo da temporada, em Nova York, mas quando chegava a Paris, já tinha dado uma engordadinha. Aquele meio quilo incomodava e eu era cortada dos desfiles. Não consigo entender porque não há mais diversidade nas passarelas, nas revistas e campanhas. Acho muito maluca essa ideia de colocar todo mundo numa caixa. Porém, vejo uma mudança sútil.
Além de modelo, Bruna, que não descarta a possibilidade de retomar sua carreira internacional, é assistente de booker na agência Allure. Ela gosta de estar do outro lado da mesa:
— Quero passar a minha experiência para as meninas.
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