17/08/2015 14h50
Mulher registrou boletim de ocorrência
Midiamax
Uma moradora de Mato Grosso registrou um boletim de ocorrência contra um pai de santo de Campo Grande. A mulher, que será chamada pelo nome fictício de Carla, alega ter sido mantida em cárcere em um centro de candomblé, ter sido ameaçada e ainda, ficado sem diversos pertences usados em rituais da religião.
Carla relatou à polícia do Mato Grosso que veio a Campo Grande para “dar uma obrigação de sete anos do candomblé”. Ela diz que após passar 20 dias no centro [de candomblé] entrou em choque e depressão por saudade do marido e dos cinco filhos e fugiu do local. A mulher diz ter ficado vagando pelas ruas e o pai de santo “nem se comoveu e nem foi procurá-la”. Depois, Carla afirma diz ter ficado escondida em um bar, onde conseguiu ligar para familiares, que a buscaram.
Consta ainda no registro, que após um mês, a Carla voltou a ter contato com o pai de santo, por meio de amigos e de uma ligação telefônica. Ele teria falado para ela voltar ao centro para terminar os rituais, que já havia raspado o cabelo, feito a matança e que se ela não retornasse, ficaria louca e perderia o marido.
Carla diz ter resolvido voltar ao centro de candomblé, momento em que teria ficado em cárcere privado. Ela conseguiu fugir novamente, foi para casa, entrou em contato com o pai de santo pedindo para que ele devolvesse os pertences dela, o que foi negado. O registro continua com a mulher narrando que pagou R$ 18 mil antes dos rituais começarem, para custear mão de obra e materiais do ritual.
Procurado, o pai de santo preferiu não se manifestar sobre a denúncia.
Foto polêmica
Uma foto, na qual o mesmo pai de santo aparece com um tamanduá morto, também chegou ao conhecimento do Jornal Midiamax. Ele afirmou que não se trata de ritual, mas sim de um animal morto, encontrado na estrada que foi encaminhado para ser taxidermizado.
Segundo o presidente da Fecams (Federação e Cultos Afro-Brasileiro e Ameríndios de Mato Grosso do Sul ) Irbs Santos, as religiões afro-brasileiras não utilizam animais silvestres em rituais, até mesmo, porque é proibido por lei. Segundo ele, se algum caso de utilização de animais silvestres ocorrer é por conta “pessoas despreparadas, que não respeitam a lei e querem aparecer”, diz.


