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sábado, 17 de outubro, 2026

Morre em São Paulo Julio Gartner, sobrevivente do Holocausto

Nascido da Polônia, ele sobreviveu a cinco campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial e viveu por 71 anos no Brasil, onde se casou e teve dois filhos e quatro netos.

12/11/2018 06h40 – G1

Morreu neste domingo (11) em São Paulo, aos 94 anos de idade, Julio Gartner, sobrevivente do Holocausto. Nascido na Polônia em 1924, ele vivia no Brasil há 71 anos.

O enterro de Gartner foi neste domingo no Cemitério Israelita do Butantã, Zona Oeste da capital paulista. De acordo com a família, ele morreu após se sentir mal e ter uma parada cardiorrespiratória. Ele vinha vivendo de forma saudável, tendo inclusive jogado tênis no sábado.

Gartner passou por cinco campos de concentração e estava no gueto de Cracóvia, na Polônia, quando este foi destruído. O episódio é narrado no filme “A lista de Schindler”, de Steven Spielberg.

Após sobreviver à perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, Gartner se mudou para o Brasil, onde se casou, teve dois filhos e quatro netos. Ele trabalhou em tecelagem, foi dono de loja e morou até o fim da vida no bairro de Higienópolis, região central de São Paulo.

Passagem por aldeia e campos de concentração

Em entrevista ao G1 em 2017, Gartner contou um pouco de sua história. Ele precisou se esconder dos nazistas durante nove meses em uma aldeia no interior na Polônia, logo após o início da perseguição aos judeus.

Da aldeia, ele foi levado para um gueto, locais dentro da cidade onde os judeus eram confinados pelos nazistas. O gueto foi descrito por Gartner como sendo “pior do que um cativeiro”.

“Em um cativeiro, há a esperança de que alguém vai dedurar os bandidos. Lá, infelizmente não existia isso, porque o terror vinha de cima, era o governo que fazia esse terror, e o governo que fazia esses guetos. Então as pessoas não tinham chance nenhuma de escapar, de se salvar”, contou Gartner.

Do gueto em Cracóvia, Gartner foi levado para campos de concentração, junto com seu irmão do meio. Os pais dele haviam sido mortos pelos nazistas logo no começo da guerra, quando deixaram a aldeia para ir para a cidade, por não aguentarem mais fugir. O irmão mais velho fugiu para a Rússia, e posteriormente veio para o Brasil.

Aos 17 anos, Gartner passou nove meses campo de Plaszów, na Polônia, e de lá foi levado para Auschwitz, no mesmo país.

Depois de Auschwitz, ele ainda passou por Mauthausen e Melk, na Áustria, até chegar ao campo de Ebensee, que ele descreveu como o pior de toda a Europa. Foi lá que ele estava quando a guerra terminou, em 1945.

Pesando apenas 33 quilos e com a saúde debilitada, Gartner foi para o sul da Itália, e dois anos depois veio para o Brasil, motivado por uma carta do irmão mais velho, que contava que iria viver no país.

Julio Gartner, em visita ao Museu do Holocausto, em São Paulo, em 2017 — Foto: Fabio Tito/G1