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Morto a tiros, ex-policial militar já foi condenado a 42 anos por chacina

18/08/2016 08h10

Vítima era apontado como membro de esquadrão da morte

Midiamax

Assassinado com três tiros de pistola 9 milímetros na noite de terça-feira (16) em Dourados, a 228 quilômetros de Campo Grande, Laércio Andrade dos Santos, de 45 anos, já havia sido condenado a 42 anos de prisão por participar de uma chacina. Acusado de integrar um esquadrão da morte na década de 1990, tinha condenação em dois processos por homicídios cometidos num intervalo de três dias em julho de 1997. Também respondia por uso de documento falso.

Natural de Glória de Dourados, Santos foi executado a tiros na Rua Filomeno João Pires, no Parque das Nações I, em Dourados. Ele chegava a um bar e havia acabado de estacionar o Chevrolet Monza que conduzia. O veículo tinha na parte dianteira placas de São Paulo e na traseira de Aquidauana. Sem documentos pessoais, só foi identificado horas depois pelos investigadores.

Dos processos que constam em sua ficha, o mais rumoroso remonta a um crime ocorrido na madrugada do dia 6 de julho de 1997, que a imprensa local denominou “chacina de Vicentina”. Naquela ocasião, Santos, José Cícero Simplício da Silva e Izaias Cirilo da Costa, todos policiais militares, invadiram uma residência na Rua Lurdes Mamédio do Nascimento e executaram a tiros Amadeu de Souza Brasil, Marta Pereira Duarte, e o adolescente Lélio Pereira Duarte. As vítimas eram um casal e o filho da mulher.

Por esse rumoroso crime, Santos chegou a permanecer foragido depois de escapar do Presídio Militar de Campo Grande. Encontrado com documentos falsos em Santa Bárbara do Oeste, no interior de São Paulo, ele cumpriu parte da pena a qual foi condenado em 2009.

Na Justiça de Rio Brilhante, Laércio Andrade dos Santos também respondia a mais dois processos, um homicídio simples e outro por uso de documento falso.

Em uma dessas ações, suspensa na Vara Criminal de Rio Brilhante, ele foi acusado por disparar vários tiros contra dois presos que trabalhavam nas obras de construção do Fórum daquela comarca; as vítimas sobreviveram após rápido socorro de equipes médicas.

Esse crime teria ocorrido na tarde do dia 3 de julho de 1997 e contado com a colaboração de outros policiais. Na denúncia feita à Justiça pelo Ministério Público Estadual, a Promotoria de Justiça acusou ser “público e notório, que os denunciados fazem parte de uma quadrilha de policiais militares que executam homicídios mediante paga ou promessa de recompensa”.

Submetido ao Tribunal do Júri, Santos foi condenado a 14 anos e 6 meses de reclusão em 2012. Ele recorreu ao TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), mas os desembargadores da Segunda Turma Criminal da Corte estadual negaram o pedido do réu porque ele estava, novamente, foragido.

No entanto, a condenação por esse primeiro crime ocorreu antes de ser publicada a sentença relativa à chacina cometida três dias depois. Após ser capturado no interior de São Paulo, Santos cumpriu parte da pena, mas foi beneficiado com a progressão de regime este ano. Desde o dia 13 de julho, contudo, ele não apareceu mais na Delegacia de Polícia Civil de Rio Brilhante para assinar a folha de frequência, fato comunicado ao delegado.

Laércio Andrade dos Santos foi morto a tiros na noite de ontem em Dourados (Foto: Sidnei Bronka/94FM)

Morto a tiros ontem em Dourados, ex-policial já foi condenado por chacina (Foto: Sidnei Bronka/94FM)