Ao chegar no endereço, testemunha comentou que irmã da vítima a aguardava na calçada. Quando desceu, já contou os fatos e mostrou conversas no WhatsApp em MS.
28/01/2019 11h40 – G1MS
A polícia ouviu o motorista de aplicativo que buscou a adolescente de 16 anos, vítima de tortura, em Campo Grande. Em depoimento, o homem de 27 anos disse que a menina entrou no carro chorando, com um corte na sobrancelha e dizendo que havia apanhado de outras meninas, além de ter sido enganada e atraída para uma vingança, de acordo com a investigação.
Ao chegar no endereço combinado, o motorista ressaltou que a irmã da vítima a aguardava na calçada. “Ela falou para a irmã que tinha apanhado, que levou chutes e que passavam a faca das costas dela, falando que ela tínha saído com um homem que era casado com uma das agressoras. Foi o momento em que ele até a orientou a procurar as autoridades competentes”, afirmou ao G1 o delegado Wellington de Oliveira.
O motorista foi o único homem ouvido na apuração do ato infracional, ainda de acordo com a polícia. Em um primeiro momento, a investigação pretendia ouvir o suposto pivô das agressões, mas, entendeu que ele não teve participação no crime. Outras adolescentes, que negaram qualquer agressão, também prestaram depoimento.
Após as oitivas e diligências, o relatório foi feito e encaminhado ao Ministério Público, no último quarta-feira (23). Já no dia 11 de janeiro, a Justiça determinou a internação de duas adolescentes suspeitas de serem as responsáveis pela sessão de tortura.
Na ocasião, o delegado Fábio Sampaio, responsável pelas investigações, disse que três equipes, formadas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij) e Grupo de Operações e Investigações (GOI), estão em busca das adolescentes. Quanto a jovem de 18 anos, também suspeita, ainda não há informações.
Conversas no WhatsApp
A Polícia Civil teve acesso a conversas no WhatsApp, em que uma adolescente de 17 anos, apontada como a principal torturadora, dá a entender que a intenção dela era matar a vítima e ainda que estava tranquila em relação a possíveis punições.
“Era pra ela tá morta, mais as outras mina q tava cmg n deixo Eu mata”, escreveu. “Mais quem torturo foi eu.”
Em seguida, uma amiga dela pergunta se ela foi para a Unidade Educacional de Internação (Unei), para onde são encaminhados adolescentes que praticam atos infracionais. A suspeita então responde que “somente assinou papéis”.
“N po…To suave tenho dinheiro adevogado.”
Em entrevista à TV Morena, a vítima conta trechos do que as envolvidos diziam. “Elas falavam assim: ‘Pega a corda, pega a corda, vamos amarrar ela’. Vamos levar ela para outro lugar’. Eu fiquei com medo de morrer. Elas diziam que estavam esperando uma arma. Não conseguia me olhar no espelho. Ontem eu olhei e comecei a chorar”, disse
Entenda o caso
O caso ocorreu na segunda semana de janeiro, em uma casa no bairro Guanandi, região sul de Campo Grande. Além de ser agredida com socos e pontapés por duas horas e meia, a vítima teve o corpo cortado com faca e foi obrigada a ligar para o ex da suspeita, dizendo que não queria mais nada com ele, ainda conforme a polícia.
Ainda conforme Sampaio, a vítima teria se relacionado com o ex da suspeita de 18 anos. “Para se vingar, juntamente com as outras, elas teriam planejado o crime. Elas vão responder pelo artigo do ECA [Estatudo da Criança e o Adolescente], que é constranger com violência e grave ameaça, principalmente pelo fato delas obrigarem a menina a ligar para o ex”, disse o delegado.
De acordo com a irmã da vítima, ela ficou sabendo após receber prints das agressões de um grupo no WhatsApp chamado “As bandidas”. Entre as conversas, uma das supostas agressoras escreveu: “Eu não deixei marca nenhuma, sou besta não… eu só bati nela, porque ela falou pra mim: ‘demorô'”. A irmã da adolescente comentou que ficou “muito preocupada” assim que começou a receber as mensagens. A adolescente foi internada na Santa Casa e já teve alta médica.



