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terça-feira, 22 de setembro, 2026

MP recorre para que adolescentes ligados a desafio que matou menina em MS voltem para internação

Ela teria sido induzida a tirar a vida de quatro gatos; no entanto, não teria conseguido.

Cinco adolescentes investigados por envolvimento na morte da adolescente, de 13 anos, que participava de desafios on-line em Naviraí, foram soltos. Agora, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) ingressou com um pedido de tutela de urgência para restabelecer a internação provisória deles.

A adolescente foi encontrada morta na varanda de casa, onde morava com a família, no dia 22 de julho. Na época, foi divulgado que a vítima estaria participando de um grupo na plataforma Discord. Ela teria sido induzida a tirar a vida de quatro gatos; no entanto, não teria conseguido.

O servidor teria sido derrubado após denúncias do Carpe Diem — grupo de hackers éticos que ajuda a polícia. Tempos depois, o mesmo grupo, já em outra chamada, fez com que a adolescente tirasse a própria vida. Inclusive, os integrantes teriam comemorado a morte entre eles.

Em agosto, a primeira fase da Operação Lívia, que investiga a morte da menina, foi deflagrada pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). Na ocasião, seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo cinco adolescentes apreendidos e um maior, de 18 anos, preso.

Na segunda fase da Operação deflagrada neste mês de setembro, outros seis adolescentes foram apreendidos. Celulares, mídias e computadores foram apreendidos e passarão por análises.

MP recorre para que adolescentes ligados a desafio que matou menina em MS voltem para internação
São cumpridas medidas de internação contra os adolescentes. (Divulgação)

Após a soltura de cinco adolescentes. O Ministério Público entrou com a tutela de urgência; o recurso busca justamente reverter a decisão que determinou a liberação deles, após o decurso do prazo da medida cautelar, defendendo a manutenção da internação até a conclusão do processo socioeducativo.

“Na peça encaminhada pela 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o MPMS sustenta que a excepcional gravidade dos fatos, a complexidade da investigação e a proximidade da sentença justificam a manutenção da medida”, diz trecho da nota do MP.

O Ministério Público apresentou duas representações para aplicação de medidas socioeducativas contra adolescentes identificados ao longo das investigações. Os adolescentes da primeira fase da operação, são apontados como integrantes e administradores dos grupos conhecidos como “Proxy” e “Snak4”.

“Com o agravo e as representações já ajuizadas, a instituição busca assegurar a responsabilização dos envolvidos e a efetiva resposta do sistema de justiça diante de um caso considerado de elevada complexidade e relevante impacto social”, finaliza a nota.

Chantagens 

As investigações apontaram para a utilização de mecanismos de chantagem, manipulação e coerção psicológica contra adolescentes em situação de vulnerabilidade, buscando submetê-los às determinações dos integrantes desses grupos.

A atuação policial tem como objetivo não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também identificar possíveis vítimas, interromper situações de risco e promover seu adequado encaminhamento e proteção pelos órgãos competentes.

Itens neonazistas

Durante as buscas na primeira fase da operação, a polícia encontrou materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil com os adolescentes, que são suspeitos de induzir uma menina de 13 anos à morte em Naviraí.

Os itens extremistas foram encontrados durante o cumprimento de mandados de busca, que miraram seis integrantes do grupo no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Pará, Ceará e Minas Gerais. Um adolescente de Aquidauana fazia parte do grupo. A jovem foi coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord, que durou cerca de 45 minutos. 

Conforme as investigações, a ideologia neonazista era usada pelo grupo para radicalizar os jovens no Discord e no Telegram, onde promoviam discursos de ódio, misoginia e desafios de violência extrema contra crianças e animais.

MP recorre para que adolescentes ligados a desafio que matou menina em MS voltem para internação
Itens foram apreendidos pela PC. (Divulgação)

Morte da adolescente

No dia 22 de julho, a adolescente, de 13 anos, foi encontrada morta na varanda da casa onde morava, em Naviraí. Ela foi encontrada pela mãe e pelo padrasto, por volta das 6h.

Na época, foi divulgado que a vítima estaria participando de um grupo na plataforma Discord. Ela teria sido induzida a tirar a vida de quatro gatos; no entanto, não teria conseguido. O servidor teria sido derrubado após denúncias do Carpe Diem — grupo de hackers éticos que ajuda a polícia.

Tempos depois, o mesmo grupo, já em outra chamada, fez com que a adolescente tirasse a própria vida. Inclusive, os integrantes teriam comemorado a morte entre eles.

Prints de supostas mensagens atribuídas ao grupo chegaram a circular nas redes sociais. “Tropinha, isso é oq acontece quando demora tanto pra fazer a p**** de um lulz, o próximo será possivelmente um homicídio…”, descreve uma das mensagens.

Fonte: Midiamax