01/01/2016 08h20
Prefeito apela a “boa vizinhança” com município paraguaio para tentar socorrer moradores da zona rural.
Agazetanews
O Ministério Público Federal (MPF) barrou a extração de cascalho da única jazida explorável existente no município, deixando a Prefeitura sem o produto para recuperar as estradas e garantir acessibilidade aos moradores da zona rural, em Paranhos.
A jazida, situada na aldeia indígena Potrero Guaçu, vinha sendo explorada há anos, segundo o prefeito Júlio Cesar de Souza, com autorização das lideranças da própria comunidade indígena, mas no início do segundo semestre deste ano (2015), a extração da rocha foi embargada pelo MPF de Ponta Porã.
No ato do embargo equipes da Polícia Federal , segundo a Prefeitura de Paranhos, cumprindo ordens do Ministério Público Federal, estiveram no local e inclusive levaram preso o secretário de obras do município por conta da extração do cascalho.
A alegação era que a Prefeitura de Paranhos não tinha autorização da Funai (Fundação Nacional do Índio) e nem do Ministério da Justiça para extrair o cascalho na aldeia, que segundo o MPF é terra pertencente ao Governo Federal.
Além da jazida na Potrero Guaçu, Paranhos conta com outro pequeno ponto de cascalho situado na região conhecida como “Espadim”, mas a exploração dessa jazida está impossibilitada, tendo em vista o rompimento de aterros e pontes que impedem o acesso a região.
“A situação é drástica. Estamos com estradas, aterros e cabeceiras de pontes danificadas que se forem recuperadas somente com terra, sem uma base de apoio com cascalho, vão se romper novamente com as chuvas e não temos o material para efetuar os reparos”, disse do prefeito ao ressaltar que além e garantir acesso às famílias residentes na zona rural, a preocupação agora é com o escoamento da safra, tendo em vista a colheita da soja que começa já neste mês de janeiro em toda a região.
Apelo ao país vizinho
Sem ter como explorar a jazida existente no município e com a necessidade extrema do produto, o prefeito de Paranhos vai recorrer ao país vizinho, Paraguai, para tentar conseguir cargas de cascalho para recuperar trechos considerados mais emergenciais.
Segundo Júlio Cesar ele pretendia se reunir ainda essa semana com o prefeito de Ypêjhú, cidade paraguaia que faz divisa com Paranhos no Brasil, para pedir auxilio.
“Nossa proposta é que a Prefeitura de Ypêjhú use seus maquinários e seus caminhões para extrair e trazer o cascalho até a linha internacional que separa Brasil e Paraguai para que nossos maquinários possam recolher e encaminhar para os pontos à serem recuperados, já que nossas maquinas e caminhões não podem entrar no país vizinho para extrair e realizar o transporte”, disse Júlio.
Segundo o prefeito, caso a municipalidade de Ypêjhú opte por colaborar, Paranhos poderia retribuir o favor com atendimento à saúde, por exemplo, já que atualmente o hospital do município brasileiro conta com uma boa estrutura em relação a equipamentos e profissionais, dispondo inclusive de médico ortopedista, cardiologista e equipamentos para endoscopia e ultrassom capaz de examinar da cintura para baixo.
Paranhos está entre os municípios do Cone Sul de Mato Grosso do Sul mais atingidos pelos temporais que castigaram a região durante o mês de novembro e na primeira quinzena deste mês de dezembro.



