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quinta-feira, 3 de setembro, 2026

MS redesenha seus caminhos para ligar cidades, produção e novos mercados

Para quem depende de uma estrada para trabalhar, estudar, chegar a um serviço público ou transportar a produção, infraestrutura não é uma palavra abstrata. Ela aparece no tempo gasto no deslocamento, na segurança do percurso e na possibilidade de alcançar outras cidades e oportunidades. Em um Estado de grandes distâncias e atividades econômicas espalhadas pelo território, o caminho entre um ponto e outro também ajuda a definir quanto o desenvolvimento consegue chegar à vida cotidiana.

É nessa conexão entre pessoas, municípios e economia que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, situa a logística no Plano de Governo 2027–2030. A proposta para o segundo mandato é dar continuidade ao ciclo de investimentos em infraestrutura, ampliar a pavimentação e, ao mesmo tempo, organizar uma rede mais integrada entre rodovias, ferrovias, hidrovias e aeroportos. A Rota Bioceânica aparece nesse desenho como um dos corredores capazes de ampliar a integração de Mato Grosso do Sul com mercados e eixos internacionais.

O balanço da expansão da infraestrutura rodoviária mostra que, entre 2023 e 2025, foram investidos mais de R$ 2 bilhões em rodovias, com 1.153 quilômetros pavimentados e outros 517 quilômetros restaurados. O período também inclui a substituição de mais de 69 pontes de madeira por estruturas de concreto e a implantação de mais de 500 quilômetros de revestimento primário no Pantanal. São intervenções que agem sobre a mobilidade, a segurança e o apoio à produção.

Estradas como espinha dorsal

Nas rodovias, a estratégia tem metas quantitativas claras. Em 2023, Mato Grosso do Sul tinha 5.131 quilômetros de rodovias estaduais pavimentadas. A previsão é chegar a 5.988 quilômetros ao final da atual gestão e alcançar 6.660 quilômetros até 2030. A meta é inverter a proporção da rede estadual e fazer com que mais de 50% das rodovias sejam pavimentadas.

Para 2026 e 2027, são previstos mais R$ 3,1 bilhões em investimentos rodoviários. O objetivo é transformar parte dessa carteira em obras e levar a malha pavimentada ao patamar estabelecido para o fim da atual gestão e, depois, à meta de 2030.

Na prática cotidiana, a expansão da rede pretende reduzir distâncias que não se medem apenas em quilômetros. Uma ligação rodoviária em melhores condições pode aproximar municípios, serviços e atividades produtivas. É essa tradução que dá dimensão humana à política de infraestrutura: “o mesmo investimento que melhora um corredor para o transporte de mercadorias também reorganiza deslocamentos de moradores, trabalhadores e famílias”, explica Riedel.

O Plano de Governo insere essa agenda em uma visão territorial mais ampla. Infraestrutura deixa de ser tratada apenas como uma sequência de obras e passa a integrar uma estratégia de desenvolvimento que conecta logística, cidades, sustentabilidade e capacidade de adaptação. “O objetivo é fortalecer corredores, ampliar a conectividade e preparar o território para sustentar crescimento econômico e novas oportunidades sem separar essa expansão dos desafios ambientais e climáticos”, sustenta o governador.

Um mapa que vai além do asfalto

A mudança de escala aparece também no modal aéreo. Entre 2023 e 2026, 27 obras em aeródromos foram concluídas. O Plano Aeroviário estadual reúne, ao todo, 64 obras e serviços e mais de R$ 366 milhões em investimentos. Desse conjunto, 39 intervenções estão concluídas ou em execução e outras 25 são previstas. A carteira inclui novos aeródromos, projetos, balizamento noturno, terminais de passageiros e melhorias operacionais.

Para Riedel, a ampliação do modal aéreo integra uma política de conectividade regional, logística, turismo e atração de investimentos. No próximo ciclo, a ideia é ampliar parcerias em infraestrutura e destacar incentivos à aviação regional. O sentido é fazer dos aeroportos parte de uma rede, e não estruturas isoladas: eles passam a compor, ao lado das estradas e dos demais modais, a tentativa de encurtar distâncias econômicas e territoriais dentro do Estado.

É justamente aí que entram ferrovias e hidrovias. A proposta para 2027–2030 é garantir a expansão da infraestrutura rodoviária, ferroviária, hidroviária e aeroportuária e fortalecer a integração multimodal da matriz logística estadual. Também prevê consolidar corredores estratégicos de integração regional e internacional.

Essa formulação marca o desafio da próxima etapa. O governo pretende elaborar e implementar o PELT – Programa Estadual de Logística e Transportes – e usar esse planejamento para conectar polos produtivos, centros urbanos e mercados consumidores. O projeto também propõe novos modelos de gestão e conservação da infraestrutura e a integração do planejamento logístico ao desenvolvimento regional e à atração de investimentos.

Rota Bioceânica e integração sul-americana

Nesse novo mapa, a Rota Bioceânica ocupa lugar político e estratégico. Sua consolidação, ao lado da concessão da Rota da Celulose e dos programas permanentes de manutenção rodoviária, reforça o posicionamento de Mato Grosso do Sul como plataforma logística para o Brasil e para a integração sul-americana.

O objetivo não é olhar cada estrada, aeroporto ou futuro investimento ferroviário de maneira separada, mas fazer com que diferentes estruturas funcionem como partes de um mesmo sistema. Regiões produtoras precisam se conectar a centros urbanos; municípios, a corredores maiores; e a infraestrutura estadual, a mercados consumidores. “É essa integração que o nosso plano coloca no centro da competitividade logística para o próximo ciclo”, aponta Riedel.

Há também uma preocupação incorporada às propostas: a resiliência da infraestrutura diante das mudanças climáticas. Entre as ações previstas está ampliar a capacidade da rede logística de responder a esses impactos. A mesma dimensão estratégica do plano associa infraestrutura moderna à preparação do território para transformações econômicas, tecnológicas e climáticas, vinculando competitividade e qualidade de vida.

O desafio, portanto, é de escala e de integração. O primeiro mandato foi um período de forte expansão rodoviária e de estruturação do Plano Aeroviário. O próximo pretende concluir etapas em andamento, cumprir as metas de pavimentação e acrescentar um nível mais complexo de planejamento: articular modais, corredores internacionais, manutenção, gestão e adaptação climática em uma única lógica territorial.

Riedel propõe que essa continuidade tenha um resultado perceptível não apenas nos indicadores econômicos, mas também no modo como as pessoas circulam pelo Estado. “Desenvolvimento, infraestrutura e crescimento só adquirem sentido quando se convertem em oportunidades e melhoria da qualidade de vida. Uma malha mais conectada pretende aproximar cidades, facilitar o acesso a oportunidades e sustentar a expansão das atividades produtivas”, afirma o candidato.

Para quem está na estrada, o significado dessa política seguirá sendo concreto: chegar com mais segurança, ter caminhos mais previsíveis e estar menos distante do restante de Mato Grosso do Sul.

Até 2030, a medida do avanço estará em objetivos já estabelecidos: alcançar 6.660 quilômetros de malha pavimentada, superar a marca de 50% das rodovias estaduais pavimentadas, ampliar a infraestrutura dos diferentes modais e consolidar corredores de integração regional e internacional. O novo mapa logístico proposto por Riedel começa nas grandes rotas, mas só ganha sentido completo quando esses caminhos encurtam, na vida diária, a distância entre as pessoas e as oportunidades.