Mulheres são mais afetadas por crises climáticas, apontam especialistas em debate na AGU

Temporal atinge centro do Rio de Janeiro - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Especialistas reunidos pela Advocacia-Geral da União (AGU) destacaram que mulheres, especialmente negras, indígenas e quilombolas, são as mais impactadas pelos efeitos das mudanças climáticas e desastres ambientais. O tema foi discutido durante o painel “Mulheres, Clima e Meio Ambiente”, realizado em 31/03.

O encontro foi promovido pela procuradora nacional de Defesa do Clima e do Meio Ambiente, Tereza Villac, que alertou para os impactos desproporcionais da degradação ambiental. Segundo ela, eventos extremos afetam diretamente a dinâmica familiar e comunitária dessas populações.

Durante o evento, realizado em parceria com a Escola Superior da AGU, a procuradora da Fazenda Nacional, Herta Rani Teles, destacou que o Plano Clima, aprovado pelo governo federal em dezembro, já inclui um eixo voltado à relação entre mulher e clima. Para ela, a medida representa um avanço, mas ainda é necessário investir em educação e capacitação ambiental.

A diretora do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marcela Moraes, reforçou que as mulheres enfrentam consequências como sobrecarga de cuidados, insegurança alimentar e aumento da violência de gênero em cenários de crise climática.

Já a diplomata Adriana Gabino apontou que o Brasil tem avançado na agenda de gênero e clima, mas ainda precisa ampliar a produção de dados sobre vulnerabilidades sociais.

A promotora de Justiça de Minas Gerais, Ana Tereza Salles, trouxe exemplos concretos que afetaram as mulheres, como o rompimento da barragem em Brumadinho e os temporais em Juiz de Fora, destacando o aumento da vulnerabilidade feminina nesses contextos. Ela acompanhou as ações nesses locais.

Encerrando o painel, a professora equatoriana Ximena Ron abordou experiências latino-americanas e o conceito de ecofeminismo, ressaltando o protagonismo de mulheres na defesa do meio ambiente. São indígenas, camponesas ou amazônidas que formam movimentos para defenderem os locais em que vivem.

A íntegra do debate está disponível no canal da Escola Superior da AGU, no YouTube

Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU

Fonte: Advocacia-Geral da União