05/11/2014 09h50
Treinador cobra punição após ser proibido de usar bola no treino em Guayaquil e diz que competições na América do Sul desanimam técnicos e jogadores
Globo Esportes
O técnico Muricy Ramalho não poupou críticas à Conmebol e ao Emelec depois de o São Paulo ser impedido pelo clube equatoriano de usar chuteiras e bola no treino de reconhecimento, na terça-feira, no estádio George Capwell, em Guayaquil.
O treinador descartou abandonar a Copa Sul-Americana, mas se mostrou preocupado com a possibilidade de mais problemas acontecerem na partida válida pelas quartas de final e marcada para as 22h desta quarta-feira.
Temos de dar um basta nisso. Esse negócio sempre acontece na Conmebol. Pelo Santos, jogamos contra o Cerro (Porteño) e foi uma loucura, com bomba e pedra.
Isso tem de acabar, bater escanteio com policial com escudo. Isso é velho. Usar a tática de não treinar com chuteira, tudo bem. Aceitamos. Depois não pode com bola. Pô, que esporte estamos jogando? Vai ver atrás do gol as redes de mentira todas furadas…
esbravejou.
Eles tratam o futebol como guerra. E não é. Isso não existe mais. Viemos aqui para jogar futebol – emendou.
Os problemas começaram na chegada do ônibus ao estádio. Com faixas provocando os são-paulinos, torcedores do Emelec se concentraram embaixo de um viaduto ao lado e tentaram se aproximar no momento em que o veículo passou. Policiais com motos precisaram intervir para que o grupo não encostasse.
Pode acontecer coisa muito grave amanhã e não vai ter nada. Se não tem punição, acontece isso
Muricy
Sentimos que ali não eram torcedores e, sim, bandidos. Nós não sabemos se é tiro ou bomba. Não dá para aceitar. Isso aqui é guerra, não é futebol. É uma coisa absurda.
A diretoria tem de tomar algum tipo de atitude. Os times brasileiros e argentinos deveriam se juntar e tomar uma atitude. A cota não é grande coisa – recordou o treinador.
O comandante são-paulino teme até que um problema maior possa ocorrer na partida que decidirá quem alcançará as semifinais.
Pode acontecer coisa muito grave amanhã e não vai ter nada. Se não tem punição, acontece isso.
Na saída do gramado, revoltado, Muricy chegou a dizer: “Vamos dar a vitória a eles e voltar para o Brasil”.
No entanto, mais calmo, garantiu que o Tricolor entrará em campo normalmente para lutar por uma vaga nas semifinais. Com o 4 a 2 do primeiro jogo, os brasileiros podem perder até por um gol de diferença.
Eu quero jogar. Não viajamos tudo isso para voltar sem jogar. Queremos jogar, mas dentro da normalidade. Sinceramente, esses campeonatos da Conmebol desanimam. Para chegar é difícil, a pressão é terrível. Desanima – disse.


