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Na venda das indulgencias, o nome de Deus em vão -José Alberto Vasconcellos

13/02/2016 05h50

Na venda das indulgencias, o nome de Deus em vão – José Alberto Vasconcellos

O protesto e a tradução da Bíblia para o Alemão, por Lutero, ganhou prestígio e dimensão.

Divulgação (TP)

No correr do século XVI, um padre católico, de nacionalidade alemã, na Alemanha, de nome Martinho Lutero, rebelou-se porque o Papa Leão X promulgou uma indulgência que prometia indulgenciar (conceder perdão) àquele que desse esmola para o término da construção da Basílica de São Pedro, em Roma.

A enciclopédia: “Indulgências (querela das), conflito religioso que precedeu a Reforma de Lutero. Em 1515, o papa Leão X promulgou uma indulgência para todos os que dessem esmolas destinadas à conclusão da basílica de São Pedro de Roma. Por ordem do arcebispo Alberto de Brandeburgo, com o apoio dos banqueiros Fugger (família de banqueiros de Augsburgo), seguiu-se uma campanha de pregação, conduzida na Alemanha pelo dominicano Tetzel. Esta campanha indignou Lutero, que resumiu a sua condenação às indulgências em 95 teses, afixadas nas portas da igreja de Wittenberg (1517) e condenadas por Roma em 1519.” (Enc. Larousse/Veja. nossa a Nota sobre a família de banqueiros Fugger).

“Martinho Lutero (Martin Luther – 1483-1546), teólogo e reformador alemão, foi enviado a Roma como representante da ordem (1510). Doutor em teologia, professor da universidade de Wittenberg, comentou, a partir 1515, as epístolas de Paulo. Com base na doutrina pauliana da justificação pela fé, ergueu-se contra o princípio das indulgências em suas 95 teses (1517) tidas como o ponto de partida para a Reforma.”

“ Condenado por Roma (1520), continuou sua obra. (…) Banido do Império pela dieta de Worms (1521) escondeu-se no castelo de Wartburg (…) até conseguir voltar a Wittenberg (1522). Contraiu núpcias (1525) e consagrou o resto da vida à defesa da sua obra. (…) Suas obras, esp. a tradução da Bíblia (1521 – 1534), fizeram dele um dos primeiros grandes prosadores do alemão moderno.” (Enc. Larousse/op.cit.).

A Reforma, que teve como ponto de partida as 95 teses afixadas nas portas da Igreja de Wittenberg, gerou a igreja Luterana, na Alemanha; a Igreja Anglicana na Inglaterra e fez prosperar outros movimentos, inclusive aquele liderado por João Calvino.

O movimento iniciado com o protesto de Lutero prosperou rápido, com o apoio dos príncipes do Império, interessados nas propriedades da Igreja Católica. O protesto e a tradução da Bíblia para o Alemão, por Lutero, ganhou prestígio e dimensão.

As correntes protestantes desde então, dividiram-se e subdividiram-se e geraram milhares de filhotes, que se multiplicaram nos últimos tempos, conforme mostram as TV´s, em quase todos os canais. São igrejas, seitas e outras agremiações de cunho religioso, com nomes que surpreendem pela criatividade.

Construiu-se até uma réplica do Templo de Salomão, rei hebreu que viveu até 931 a.C., cujo império, depois da sua morte, foi destruído pelos Assírios que fizeram desaparecer a Arca da Aliança. Esses acontecimentos verificaram-se quase dez séculos antes da vinda de JESUS até nós, para celebrar, a NOVA E ETERNA ALIANÇA, e estabelecer o CRISTIANISMO. Templo de Salomão ?

Essa multiplicidade de Igrejas, seitas e agremiações protestantes, estão esparramadas às centenas em todas as cidades, em todos os lugares, onde o objetivo principal – a linha mestra – é arrecadar doações em espécie, lembrando ao fiel, a cada momento, a maléfica ação do demônio, como coação. Em contrapartida, prometem segura passagem para o paraíso celeste. Praticam exatamente aquilo que fez nascer o protestantismo!

Essa condenável pratica, que se multiplica, representa abominável estelionato contra pessoas simples, abusadas na sua fé. Usam EM VÃO o nome de Deus, para negociar o que não possuem, a prometida INDULGENCIA.
Usar o nome de Deus em vão está claramente vedado: Dt.5:11 “Não pronunciarás em vão o nome do Senhor, teu Deus; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tiver pronunciado em vão o seu nome.” (Bíblia, Soc.Bíbl.do Brasil, RJ, 1959).

Cansadas de carregar sacos e mais sacos de dinheiro, algumas seitas mais desembaraçadas, instituíram o Cartão de Crédito, para o pagamento das indulgências adquiridas.

Conta-se que um pregador, caminhando pelo templo tomado pelos crentes, ia recomendando: “ — Quem tem cinco: dá cinco! Quem tem cinqüenta: dá cinqüenta! Quem tem cem: dá cem! Alguém gritou lá atrás: “— E quem não tem nada?” O pregador virou-se com rapidez e bradou em alto e bom som: “— Xô satanás! Xôooooooo!

E pensar que um protesto contrário à venda de indulgências, comandado por Martinho Lutero – padre católico, criador do protestantismo – poderia, no curso do tempo, gerar meio de vida para milhares de estelionatários, desprovidos de quaisquer preparo filosófico e teológico, que vendem o que não possuem e garantem o que não podem: indulgenciar o crente que lhe pagou o pedágio, invocando, em vão, o nome de Deus.

04.02.2016 (4850) Membro da Academia Douradense de Letras.

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Na venda das indulgencias, o nome de Deus em vão -José Alberto Vasconcellos