29/04/2015 06h30
Mãe de jovem morto em acidente de trânsito provocado por um então deputado estadual, Christiane de Souza Yared defende endurecimento na punição a quem comete crime no trânsito
Congresso em Foco
Mãe de um jovem morto em um acidente de carro provocado pelo então deputado estadual paranaense Fernando Ribas Carli Filho, a deputada Christiane de Souza Yared (PTN-PR) defendeu, nesta terça-feira (28), o endurecimento da legislação contra crimes de trânsito. Eleita com a maior votação na bancada paranaense, com 200 mil votos, Christiane criticou a adoção das chamadas penas alternativas para crimes causados por motoristas que assumem o risco de matar ao volante, como os que dirigem alcoolizados, em alta velocidade ou que disputam “rachas”.
“Não queremos nossos filhos pagos com cestas básicas, queremos nossos filhos vivos. Nós estamos enterrando os filhos e perdendo-os para uma guerra em que não há vencedores”, disse Christiane esta tarde, em seu discurso de estréia na Câmara.
“Eu sei que é possível o endurecimento das leis, de maneira que esses assassinos de trânsito não apenas entrem, paguem as suas fianças e vão embora para as suas casas e, no dia seguinte, voltem para os bares para encher a cara”, emendou a deputada.
O filho dela, Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e seu amigo, Carlos Murilo de Almeida, 20, foram mortos em maio de 2009 em acidente provocado em Curitiba por Fernando Ribas Carli Filho. O então deputado estadual também tinha 26 anos à época.
“190 km/h é crime”
Após a morte do filho, Christiane criou uma campanha chamada “190 km/h é crime” e fundou o Instituto Paz no Trânsito (IPTran), que dá assistência a famílias vítimas de acidente de trânsito e faz campanhas educativas. Para ela, esse tipo de acidente não pode ser tratado como “fatalidade”. “Infelizmente, o país ainda acredita que a morte no trânsito é fatalidade. O que é uma fatalidade? É um mal que não se pode evitar. O que nós não podemos evitar é o que aconteceu no Nepal, o que aconteceu na Bahia ontem, o que aconteceu em Santa Catarina. Isso é inevitável. Mas beber e dirigir em alta velocidade, fazendo racha, isso é possível evitar”, explicou a deputada.
As investigações apontaram que o então deputado estadual dirigia a 190 km por hora, com carteira de habilitação suspensa e indícios de embriaguez. Cinco anos após o acidente, o ex-parlamentar, que foi expulso do PSB e renunciou ao mandato ainda em 2009, ainda não foi julgado em primeira instância.
Há duas semanas, o Tribunal de Justiça do Paraná negou quatro recursos da defesa do ex-deputado contra a decisão de levá-lo a júri popular, ainda em 2015, conforme já havia ordenado o TJ anteriormente.


