A cabeleireira Joice Espíndola da Silva é acusada de matar a facada Camilo de Freitas durante uma briga de rua, em maio de 2018
23/03/2019 11h30 – Topmidianews
O caso
Camilo foi esfaqueado durante uma discussão com Joice, no bairro Bom Jesus da Lapa, em 20 de maio de 2018, quando, supostamente, estaria agredindo a mulher Larissa Fontoura, de 20 anos. Joice e três filhos, de 18, 16 e 11 anos, passavam pelo local. A cabeleireira disse que interveio no desentendimento do casal porque uma criança, que seria filha de Camilo e Larissa, dizia que o pai batia na mulher.
“Como a criança respondeu isso, eu já estava ligando para a polícia. Nisso, o Camilo começou a me xingar. Meu carro ‘afogou’ e ele veio em minha direção, totalmente alterado. O meu filho, que tinha 16 anos, desceu do carro e eu comecei a ficar desesperada. Estávamos voltando da festa de aniversário da minha filha e tinha um kit churrasco dentro do carro. Os dois começaram a discutir e eu peguei o kit, que tinha uma faca, e fui até eles”.
“O Camilo me viu com o objeto na mão e eu mostrei que estava com a faca”. “Ele avançou e eu me posicionei no meio [dos dois] e creio que foi o momento da facada. A camiseta ficou vermelha, o Camilo viu que tinha um corte e tentou estancar o sangue. Eu imaginei que a ferida ia dar um ponto [cirúrgico] apenas”, contou. Chorando durante a entrevista de quase meia hora e acompanhada por três advogados, Joice disse que não conhecia Camilo e Larissa.
O outro lado
“Eu sei que é difícil para a família dele. Mas, estou dando a minha versão do que ocorreu porque somente nós estávamos lá. Também é difícil para minha família”. A cabeleireira diz que não fugiu após o crime, mas que foi tirada pelo marido do local por medo de ser agredida. Disse que ficou na casa de amigos por quase três dias, antes de se entregar à polícia e que ficou desesperada ao saber da morte e ser “taxada como um monstro”.
O juiz da 1ª Vara Criminal de Três Lagoas, Rodrigo Pedrini, determinou que ela enfrente júri popular, após três tentativas da defesa de obter liberdade.
Tempo é para a cozinha e separação de alimentos
Para ocupar o tempo, enquanto aguarda pelo julgamento, Joice Espíndola da Silva trabalha na cozinha do presídio feminino. É ela quem separa e distribui alimentos para detentas, diariamente, na unidade. “Eu aproveito para trabalhar, ajudar as ‘meninas’, e também faço cursos aqui dentro”, contou. Joice também é a cabeleireira da cela, onde fica com presas ameaçadas por outras detentas e que têm filhos.
Além da secretária de Esportes Marisa Rocha, na cela também há uma mulher com um bebê recém-nascido. “Trata-se de uma ala menor, chamada de convívio. Não é um setor especial”, informou a diretoria do presídio. Atualmente, o local tem 82 presas, divididas em quatro setores, com média de sete mulheres por cela.
O júri
Joice diz que está preparada para enfrentar o júri. “Tenho muita fé em Deus. Tudo não passou de um acidente. Não tenho antecedente criminal, sou mãe e sempre trabalhei. Nunca precisei passar por cima de ninguém para conquistar o que tenho. Só espero que a justiça seja feita e que eu possa dar a minha versão sobre tudo. Qual mãe que não se posicionaria na frente do filho 10 vezes se fosse preciso?”, indagou.


