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Novo cenário pode colocar André e Nelsinho frente a frente em 2016

24/08/2015 08h30

Embora os dois líderes políticos neguem o desejo de disputar a Prefeitura de Campo Grande, eles poderão ir para o confronto ano que vem

Conjuntura Online

O novo cenário que se desenha na política local pode colocar frente a frente dois figurões que até o ano passado eram vistos como grandes amigos e companheiros fiéis de PMDB: o ex-governador André Puccinelli e o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, hoje no comando do PTB em Mato Grosso do Sul.

Hoje, adversários, André e Nelsinho negam o desejo de disputar a Prefeitura de Campo Grande nas eleições municipais do ano que vem, mas podem ir para o confronto dependendo das circunstâncias políticas, segundo analistas.

À imprensa, André Puccinelli tenta mostrar que está desapegado com a ideia de vir a concorrer a Prefeitura da Capital, onde seu grupo político foi hegemônico por mais de duas décadas, pela terceira vez. No entanto, tem encomendado pesquisas para consumo interno para sondar como anda a sua densidade eleitoral desde que apeou do poder em dezembro do ano passado.

Além do mais, o PMDB está sem opção para a sucessão do prefeito Gilmar Olarte (PP) depois da iminente saída do deputado estadual Marquinhos Trad, rebelde no partido, que está com um pé do PSD do ministro das Cidades, Gilberto Kassab. Ele seria o candidato da família Trad, com apoio de Nelsinho e do ex-deputado Fábio Trad (ex-PMDB) no próximo pleito.

A prova de que o PMDB está com os quadros fragmentados é que o partido deixou a convenção municipal sem eleger o presidente por falta de acordo e sem a sinalização de um nome para concorrer a Prefeitura de Campo Grande nas eleições de 2016.

Apesar disso, André Puccinelli destacou a importância de o partido disputar a sucessão municipal do ano que vem.

Para ele, os escândalos de corrupção não devem atingir o partido por não existir ninguém do “PMDB enlameado” com as investigações da Operação Lama Asfáltica. A Polícia Federal não teve autorização judicial para fazer busca e apreensão nas residências de líderes peemedebista, conforme reportagem do jornal Correio do Estado.

Com isto, o ex-governador não vê preocupação com as investigações da Operação Lama Asfáltica nos contratos de obras em seu governo. Ele nega qualquer envolvimento no esquema, mas defende apuração rigorosa.

A operação foi desencadeada em 9 de julho deste ano pela Receita Federal, PF, CGU (Controladoria-Geral da União) e pelo MPF (Ministério Público Federal).

Flagrado em grampo telefônico autorizado pela Justiça, o ex-governador jura que os escândalos de corrupção que repercutiram na imprensa nacional nos últimos dias, não devem atingir o partido porque, segundo ele, “não existe ninguém do enlameado”.

“Os culpados devem pagar”, afirmou. Para o ex-governador, “a Justiça tem de ser igual para todos. Tenho convicção de que nenhum peemedebista tem impressão digital na Lama Asfáltica”. Na sua avaliação, as investigações vão “atrapalhar as pessoas que cometeram os ilícitos”.

PTB

Por sua vez, Nelsinho reuniu pela primeira, no último sábado, a Comissão Executiva Estadual do PTB, depois de tirar o partido das mãos de Ivan Louzada com anuência da cúpula nacional da legenda.
De acordo as informações divulgadas pela assessoria de imprensa, as pautas discutidas na ocasião foram à realização de um ato de filiações partidárias e a situação das comissões provisórias em todo o Estado.

Nelsinho assumiu o comando estadual do PTB na última sexta-feira (21) com a responsabilidade de fortalecer a sigla em todo o Estado. “Vou viabilizar nosso trabalho em Mato Grosso do Sul, iniciar minha peregrinação pelos municípios, rodar o Estado inteiro. Nossa intenção é organizar o partido e torná-lo forte”.

Ele aproveitou a ocasião para repassar aos membros da Comissão Executiva, as diretrizes do PTB nacional. “O nosso trabalho será em cima de resultados e estratégias, estou no partido para somar e fortalecer, hoje sou um “simples soldado”, porém determinado a lutar a bandeira do trabalhismo”, disse.

Além de Nelsinho, participaram da reunião, Adaltro Albinelli, Andréa Miranda, Pedrinho Espina, o ex-deputado estadual Paulo Estevão, o vereador Edson Shimabukuro e Maria de Fátima Cardoso, popularmente conhecida por irmã Fátima.

André e Nelsinho podem se enfrentar (Foto: Divulgação )