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“Novos horizontes se abrem aos participantes do Enem”. diz Nilene Badeca

03/11/2014 07h10

“Novos horizontes se abrem aos participantes do Enem”. diz Nilena Badeca

A Secretária de Educação do estado fala sobre a importância do exame para o acesso ao Ensino Superior

Correio do Estado

Faltam seis dias para a realização da edição 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Nos dias 8 e 9, aproximadamente oito milhões de estudantes tentarão acesso ao Ensino Superior. Nesta entrevista, a secretária estadual de Educação, Maria Nilene Badeca da Costa, esclarece sobre a importância do exame em nível nacional, da preparação do aluno para realizar boas provas e sobre como o Enem mudou o modo de ensinar nas escolas. É importante, nesta reta final, que o candidato saiba como o conteúdo que ele aprendeu no Ensino Médio é apresentado no Enem e como se comportar na véspera das provas.

CORREIO PERGUNTA –Hoje, mais de oito milhões de pessoas se inscreveram para o Enem. A senhora acredita que este exame pode fazer a diferença na vida do aluno?

Nilene Badeca – O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um exame muito importante em nível nacional, pois, além de avaliar o desempenho escolar ao término da educação básica, possibilita o acesso à educação superior. Nesse sentido, o Enem, para muitos estudantes brasileiros, configura-se como a principal oportunidade para ingresso em uma universidade, seja pública, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ou privada, por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni). Novos horizontes se abrem aos participantes do exame e as possibilidades se multiplicam num contexto de valorização do indivíduo e sua colocação na sociedade. Ademais, o Enem, enquanto exame certificador de competências, oportuniza também ao público maior de 18 anos a certificação da etapa do Ensino Médio. Isso reforça, ainda mais, a importância desse exame e a sua relevante contribuição na educação brasileira.

Esta é uma avaliação que consegue testar as competências do aluno?

O Enem é constituído de uma redação e de quatro provas objetivas, que abrangem as várias áreas de conhecimento do currículo do Ensino Médio, quais sejam Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; e Matemática e suas Tecnologias. A redação visa à avaliação dos conhecimentos na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, com foco na interatividade e no diálogo constante, privilegiando a construção de significados. Nessa perspectiva, por meio do Enem, busca-se aferir as competências e habilidades desenvolvidas pelo aluno ao fim da educação básica.

Como deve ser, em sua avaliação, a preparação do conteúdo do estudante?

Para uma avaliação desse porte, o estudante deve dedicar tempo e atenção a fim de obter resultados exitosos no Enem, priorizando uma organização de estudo voltada para seu perfil educacional, com leituras, principalmente, de textos com conteúdos atuais, resumos e resolução de situações problemas. Os estudantes devem aproveitar todas as fontes de informações possíveis, como livros, jornais, revistas, internet, televisão e outras, além de revisões dos conteúdos vistos ao longo do Ensino Médio.

Com o uso do Enem, escolas públicas e privadas mudaram o modo de ensinar?

O processo de ensino nas escolas de Ensino Médio, quer públicas ou privadas, tem passado por mudanças em função do Enem. Esse exame é elaborado na premissa da interdisciplinaridade e, por isso, esse aspecto foi trabalhado com mais intensidade nos ambientes escolares, para garantir ao aluno as condições necessárias para o êxito na resolução das questões. As disciplinas têm mais relação entre si. Temas atuais ganham maior importância. A leitura crítica e a análise lógica sobrepõem-se ao cálculo por fórmulas, além da contextualização e regionalização das situações problemas. Esses são alguns aspectos introduzidos nos currículos das escolas de Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino influenciados pelo Enem. O que necessitamos urgentemente rever é o fato de o Enem estabelecer, em grande parte, o currículo do Ensino Médio quando o ideal é que ocorra o contrário. Entretanto, essa situação será revista quando a Base Nacional Comum for implementada no País, a partir das discussões já iniciadas pelo Ministério da Educação com base no disposto no Plano Nacional de Educação (Lei nº 13005, de 25 de junho de 2014).

A senhora avalia que o aluno da escola pública tem as mesmas possibilidades no exame do que aquele que estuda em escola particular? Por quê?

Os estudantes oriundos da rede pública de ensino têm, sim, condições de participar do Enem, tanto quanto aqueles das escolas particulares. Precisamos ressaltar que os avanços na implementação das políticas públicas de educação voltadas para esta etapa de ensino e, principalmente, os investimentos que estados têm promovido para que os estudantes tenham acesso, permanência e sucesso na sua trajetória escolar constituem esforços de todos os gestores das secretarias e escolas, visando à melhoria constante da qualidade do processo de ensino e aprendizagem. Entre essas políticas, destacam-se a expansão da carga horária para o 6° tempo em grande parte das escolas do Estado, a implantação de escolas estaduais de Ensino Médio de tempo integral, o programa “Avance Mais”, o projeto “Jovem de Futuro”, o “Curso Estadual Preparatório para o Ingresso na Educação Superior” (Cies). Todas essas ações dão suporte ao estudante para um bom desempenho no Enem, pois utilizam metodologias que vão ao encontro das competências exigidas no exame.

Em sua opinião, o Enem se tornou um meio mais democrático de acesso ao Ensino Superior?

A democratização do acesso ao Ensino Superior é um assunto que ainda gera debate no meio acadêmico. É evidente a contribuição do Enem para essa democratização, pois possibilita ao estudante acessar, simultaneamente e sem custos, quase 4 mil cursos de educação superior em todo o País, sem a necessidade de realizar provas em diversas cidades. Ainda, o exame possibilita acesso a programas, como o Prouni e o Programa Ciência sem Fronteiras, políticas que favorecem ainda mais a consolidação dessa democratização.

Quais dicas a senhora daria para que o aluno se saia bem na redação, que tem pontuação alta?

Na redação do Enem, é exigida a construção de um texto em prosa do tipo dissertativo-argumentativo sobre um tema de ordem social, científico, cultural ou político. Por esse prisma, o estudante deve construir os seus argumentos de maneira articulada. Sabemos que o nível de escrita de qualquer pessoa está diretamente relacionado ao nível de leitura que ela desenvolve. Desse modo, o estudante que almeja desenvolver uma boa redação deve, primeiramente, estar envolvido em constante leitura. As competências avaliadas na redação do Enem envolvem, também, a construção formal, a estruturação sintática, a seleção lexical, o emprego dos recursos de coesão e o estabelecimento da coerência entre os argumentos. Assim, o estudante deve contar com a ajuda de um professor da área de Linguagem, o que possibilitará a verificação do avanço na escrita. Essa atividade deve permear os estudos preparatórios para o exame.

Vale a pena a dedicação total aos estudos nesta última semana antes do exame?

O processo de preparação para o Enem é resultado da soma de esforços, em que cada estudante deve dedicar certa carga horária para estudo específico dos conteúdos abordados no exame. É certo que a dedicação total aos estudos nesta última semana tem sua valia. Entretanto, o estudo desenvolvido ao logo do ano tende a dar mais resultados. Para essa última semana, a dica àqueles que já desenvolvem uma jornada de estudos diários para o Enem é que utilizem esses dias para uma boa leitura de textos que abordam temas atuais; já àqueles que não se prepararam, ainda há tempo de fazer uma re
visão dos conteúdos chaves.

O que fazer na véspera?

A véspera do exame é o dia mais importante da preparação. Todo seu trabalho poderá ser consolidado mediante alguns procedimentos: descansar bem (dormir cedo), ter uma alimentação balanceada (sem exageros), deixar de praticar qualquer atividade física que leve à exaustão, organizar os documentos e materiais necessários à realização da prova, realizar prévia visita ao local com objetivo de evitar possíveis imprevistos de deslocamento, não exagerar nas revisões de conteúdo, enfim, privilegiar o descanso.

Maria Nilene Badeca da Costa, secretária de Educação(Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado)