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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

O que está por trás do surpreendente aumento no número de mulheres na cracolândia

25/06/2017 08h

Avanço do tráfico, maior exposição à violência e vulnerabilidade diante da dependência ajudam a explicar tendência, afirmam especialistas.

BBC Brasil.com

Em novembro de 2016, a fotógrafa Adri Felden recebeu um convite da Prefeitura de São Paulo para realizar um trabalho voluntário na cracolândia: fazer retratos de dependentes químicas da região.

“Antes de aceitar, fui conhecer a cracolândia”, conta Felden, de 50 anos, lembrando que a presença de meninas e mulheres na área, algumas delas grávidas, foi o que mais chamou sua atenção.

Segundo pesquisa divulgada neste mês pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado, a percepção de Adri está certa: o percentual de mulheres na cracolândia mais que dobrou em um ano: de 16% em 2016 para 34% em 2017.

Enquanto no ano passado 119 usuárias teriam circulado diariamente pela região que concentrou durante anos uma feira de drogas a céu aberto, neste ano a estimativa é de 642 mulheres.

O estudo mostrou que o tráfico está cada vez mais organizado na cracolândia e que traficantes têm privilegiado a cooptação de mulheres para consumo da droga e exploração. Outro ponto identificado foi a associação do tráfico na região à prostituição e ao abuso sexual de crianças, adolescentes e mulheres.

“Mulheres que antes iam somente comprar droga acabaram sendo recrutadas pelo tráfico. Muitas delas passaram a ser exploradas, inclusive sexualmente. É impressionante como a cracolândia conseguiu manter as mulheres na região, tanto para consumo como trabalho”, aponta o secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo, Floriano Pesaro (PSDB).

Mulher conduzida por policial em ação na cracolândiaFoto: BBCBrasil.com

O que está por trás do surpreendente aumento no número de mulheres na cracolândia