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sábado, 17 de outubro, 2026

Obama diz que EUA vão apurar ataque aéreo

05/10/2015 08h50

O chefe do escritório de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad al-Hussein, falou em “crime de guerra” ao comentar o bombardeio.

G1

O presidente americano, Barack Obama, ofereceu neste sábado (3) suas “profundas condolências” pelo suposto bombardeio de forças dos Estados Unidos a um hospital localizado na cidade afegã de Kunduz, que matou 19 pessoas.

“Em nome do povo americano, estendo minhas profundas condolências aos profissionais da área médica e demais civis mortos e feridos no incidente trágico ocorrido em um hospital da Médicos sem Fronteiras em Kunduz”, disse Obama em um comunicado divulgado pela Casa Branca.

“O Departamento de Defesa abriu uma investigação completa, e aguardaremos seus resultados antes de fazer um julgamento definitivo das circunstâncias envolvendo esta tragédia.”

“Continuaremos trabalhando estreitamente com o presidente Ashraf Ghani, o governo afegão e nossos parceiros internacionais para apoiar a Defesa Nacional afegã em seu trabalho para garantir a segurança daquele país.”

Médicos sem Fronteiras fala em ataque com precisão

A diretora-geral dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Brasil, a portuguesa Susana de Deus, disse que os bombardeios que foram direcionados e precisos, em entrevista ao Jornal Nacional.

“Nós repetidamente viemos a informar as forças internacionais de coalizão sobre os locais onde estávamos a operar, não só no Afeganistão, mas em todos países em conflito”, disse a diretora-geral da organização no Brasil.

“Inclusive, durante o bombardeio conseguimos informar, tanto Washington como Kabul, sobre o que estava acontecendo”, completou.

De acordo com o MSF, foram 22 mil pessoas atendidas no hospital de Kunduz em 2014 e 6 mil cirurgias realizadas no local. “O hospital ficou destruído”, disse Susana de Deus. “O impacto sobre a população será muito grande”, afirmou.

ONU fala em Crime de guerra

O chefe do escritório de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad al-Hussein, falou em “crime de guerra” ao comentar o bombardeio.

“Esse evento profundamente chocante deve ser rapidamente, profundamente e independentemente investigado, e seus resultados devem ser tornados públicos”, disse Zeid Ra’ad al-Hussein em um comunicado. “A seriedade do incidente é ressaltada pelo fato de que um bombardeio contra um hospital pode ser considerado um crime de guerra.”

Para ele, o incidente “extremamente trágico, sem desculpas e possivelmente até criminoso”. “A aviação militar afegã e internacional tem a obrigação de respeitar e proteger os civis o tempo todo, e as instalações médicas e seu pessoal são objeto de proteção especial.”

O MSF disse em nota que todas as partes envolvidas no conflito no país foram informadas sobre a localização precisa de seu hospital e de outras instalações do grupo. Ainda de acordo com o MSF, o bombardeio continuou por 30 minutos mesmo após militares dos EUA e afegães terem sido informados sobre o ataque. O estabelecimento da MSF em Kunduz é um centro hospitalar importante na região e estava funcionando além de sua capacidade durante os recentes combates entre o exército e os talibãs, que assumiram o controle da cidade durante vários dias.

“O centro de traumatologia da MSF em Kunduz foi atingido várias vezes durante um bombardeio prolongado e ficou muito danificado”, informou a ONG em um comunicado. “Confirmamos a morte de nove membros da MSF durante o bombardei (…) 37 pessoas estão gravemente feridas e se desconhece o paradeiro de muitos funcionários e pacientes”, acrescenta o texto.

No momento do bombardeio, 105 pacientes e pessoal sanitário e mais de 80 funcionários internacionais e locais se encontravam no hospital.

A organização informou na véspera que 59 crianças estavam sendo atendido no centro.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também condenou o ataque e pediu uma investigação imparcial do incidente. “Os hospitais e pessoal médico são explicitamente protegidos pela lei internacional humanitária”, disse o gabinete de imprensa de Ban em um comunicado. Ele pediu uma “investigação completa e imparcial sobre a ataque, a fim de garantir a prestação de contas”

Pessoas são vistas em hospital dos Médicos Sem Fronteiras em Kunduz, no Afeganistão, logo após bombardeio atingir o local neste sábado (Foto: Divulgação/Médicos Sem Fronteiras )