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domingo, 18 de outubro, 2026

“Operação Enganosa” expõe falhas no sistema de saúde americano

Os Estados Unidos representam hoje a maior potência capitalista do mundo e, portanto, cada aspecto de sua estrutura remete de alguma forma este ideal.

24/07/2018 13h20 – VIA STREAMING

Os Estados Unidos representam hoje a maior potência capitalista do mundo e, portanto, cada aspecto de sua estrutura remete de alguma forma este ideal. Com isso, a economia do país é fomentada por grandes conglomerados que, por definição, priorizam o acúmulo de capitais. Nesse sentido, o sistema de saúde norte-americano é baseado nos seguros privados, já que não existe atendimento médico público. Apesar dessa dinâmica de baixa participação econômica do governo, também comercializa aquilo que deveria ser um direito básico do cidadão. Essa privação é extremamente dolosa à população, visto que muitas vidas foram perdidas graças à falta de suporte governamental na saúde. Para expor algumas dessas falhas, chega dia 27 de julho na Netflix o documentário “Operação Enganosa”, uma produção original do serviço de streaming que conta com os cineastas Kirby Dick e Amy Ziering (“The Invisible War” e “The Hunting Ground”).

Ao todo, a indústria de dispositivos médicos gera anualmente US$ 400 bilhões de lucro ao se aproveitar de legislações ambíguas, encobrimentos corporativos e incentivos fiscais norte-americanos. Por possuírem vasta influência política e econômica, essas empresas prosperam ao colocar diariamente a vida de pacientes em risco. Em “Operação Enganosa”, são apresentados alguns desses casos. Em 2002 a FDA, agência federal norte-americana de alimentos e saúde, aprovou o “Essure”, um método permanente de contracepção amplamente criticado por seus efeitos colaterais perigosos, como perfurações do útero e doenças autoimunes. O produto pertence à Bayer e desde 2017 deixou de ser vendido em todos os países do mundo, com exceção dos Estados Unidos.

Além disso, há casos como o do ortopedista que, após uma cirurgia de prótese de quadril feito de cromo e cobalto, acabou com problemas neurológicos em função da presença desses metais, que se separaram do produto e caíram direto em sua corrente sanguínea. Apesar disso, esses materiais ainda são amplamente utilizados em procedimentos dessa categoria nos Estados Unidos. Nesse sentido, “Operação Enganosa” desempenha um papel importante para conscientização popular, não apenas a norte-americana, mas de todo mundo. A mensagem que se tira é que a saúde não deve ser um comércio, mas sim um direito fundamental de qualquer ser humano.


Documentário chega dia 27 de julho na Netflix - Foto: Divulgação