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quinta-feira, 17 de setembro, 2026

Operação prende diretor de clínica acusada de tortura e cárcere privado contra 72 mulheres

Clínica suspeita de tortura teria cometido diversos crimes contra a dignidade humana das pacientes internadas.

Operação apreendeu armas e munições.Foto: Divulgação/MPPR/ND MaisOperação Aurora, realizada na terça-feira (15), mirou uma clínica terapêutica em Terra Roxa, no Oeste do Paraná, alvo de investigação por manter cerca de 72 mulheres presas sob condições de abusos e suspeita de tortura.

A ação, conduzida em conjunto pelo MPPR (Ministério Público do Paraná) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão.

De acordo com o MPMS, o estabelecimento abrigava inclusive pessoas com deficiência, que eram mantidas em isolamento forçado e sem qualquer permissão para deixar o local.

Operação que mira suspeitas de tortura investiga rotina de abusos e dopagem sistemática

Segundo a investigação, o modelo de gestão da clínica condicionava as vítimas a tratamento abusivo, com sanções severas e graves violações de direitos humanos.

Práticas de tortura física e psicológica estão entre as ocorrências investigadas, que incluem também:

  • Trabalho escravo e isolamento: As mulheres eram obrigadas a realizar trabalhos internos sem remuneração e eram proibidas de receber visitas de familiares;
  • Negligência médica: O socorro médico básico era sistematicamente negado às internas;
  • Dopagem forçada: Os investigados aplicavam sedativos de forma forçada para induzir a inconsciência das vítimas. A medicação era chamada informalmente pelos suspeitos de “Danone”;
  • Ameaças: As pacientes eram intimidadas e ameaçadas para não denunciarem a rotina de violência durante as vistorias de órgãos de controle.

Desdobramentos da operação e prisões

A Vara Criminal da comarca expediu um mandado de prisão temporária de 30 dias contra o gestor da clínica, que foi detido.

As equipes policiais também realizaram buscas na sede da instituição, em endereços rurais, residências e veículos ligados aos investigados.

Durante as buscas, as autoridades localizaram armas de fogo e munições sem registro, o que resultou em mais uma prisão, desta vez em flagrante.

Celulares e computadores foram apreendidos na operação e, após autorização judicial para quebra de sigilo, passarão por perícia técnica.

O objetivo do MPPR agora é identificar outros possíveis envolvidos no esquema de abusos.

As pacientes seguirão internadas no local. O MPPR alegou que não haveria condições de transferi-las de forma imediata a outro estabelecimento. As transferências devem ocorrer de forma escalonada.

Fonte: R7