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Ouvidoria nacional tem 71 denúncias de violência a comunicadores de MS

09/11/2013 08h20

Segundo coordenadora nacional, são relatos de ameaças e assassinatos.

G1 MS

Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam que no tema violência contra comunicadores, Mato Grosso do Sul é um dos líderes no ranking de denúncias que o órgão recebe. O assunto foi debatido na audiência pública “Direitos Humanos e a Proteção dos Profissionais de Comunicação”, realizada na tarde desta sexta-feira (8), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande.

Segundo a coordenadora geral da ouvidoria, Irina Karla Bacci, nos últimos anos, foram 71 denúncias de ameaça e de homicídios a profissionais de comunicação que atuam no estado, e muitas delas até detalham as motivações. “São ameaças que mostram problemas políticos e do narcotráfico”, diz. Irina explica que as informações são analisadas e depois encaminhadas aos responsáveis pelas apurações.

De acordo com o Sindicato dos Radialistas e Publicitários Profissionais do Mato Grosso do Sul, em cinco anos, foram 25 casos de agressões e mortes a comunicadores, sendo cinco radialistas, entre eles Flávio Godoy, conhecido como Ratinho, de Bela Vista, que fica na fronteira com o Paraguai.

Para o diretor institucional da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Carlos Torves, a situação no estado é “preocupante”. “Um local onde teve três assassinatos em três anos e um número elevado de pessoas ameaçadas de morte”.

Torves aposta na federalização dos crimes contra comunicadores para que o quadro mude e também adoção de medidas determinadas pelas Nações Unidas. “O profissional precisa utilizar coletes balísticos, capacetes, máscaras, carro blindado e a equipe precisa ser completa, com motorista e cinegrafista e/ou repórter fotográfico”.

Segundo Torves, tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei para que a Polícia Federal apure atos de violência contra profissionais da comunicação que não tiverem desfecho em 30 dias nas mãos da polícia estadual.

Tarciso Del Maso, presidente do Conselho de Defesa da Pessoa Humana, lembra ainda que outra iniciativa está em andamento para acabar com a violência.

Grupo de trabalho foi instituído em fevereiro para criar propostas. Para isso, estão sendo feitas audiências públicas, a terceira foi em Mato Grosso do Sul, onde são ouvidos relatos de vítimas. Em dezembro será divulgado um relatório parcial e em fevereiro de 2014 o documento completo.

Representantes do governo federal estiveram em MS (Foto: Nadyenka Castro/ G1 MS)