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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

Pais e técnicos relatam “caos” na organização nos Jogos Escolares Brasileiros, no Rio

Evento promovido pelo governo federal e pela Confederação Brasileira de Esporte Escolar tem seis mil jovens de 12 a 14 anos inscritos de todas as regiões do país.

Os seis mil participantes inscritos nos JEBs (Jogos Escolares Brasileiros), evento voltado a atletas de 12 a 14 anos que teve início nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, encontraram uma organização caótica no que diz respeito a recepção na capital fluminense, alimentação e hospedagem. Ao longo desta semana, acumularam-se relatos em redes sociais de pais, treinadores e os próprios competidores de situações de penúria na competição, que é promovida pela Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania em parceria com a CBDE (Confederação Brasileira de Desporto Escolar).

A maioria das competições é realizada no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, mas também haverá provas de atletismo no Cefan (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes), instalação mantida pela Marinha, e na Arena da Juventude, em Deodoro. As disputados começam oficialmente neste sábado e vão até o próximo dia 5.

Um dos problemas mais graves relatados é o transporte. Kassyane Silva, cuja filha Maria Clara Bandeira, de 14 anos, representa o Ceará no judô, disse que a filha comentou que passou o dia sem almoçar e à espera de um ônibus para levar a delegação até o Parque Olímpico. Programado para pegá-la às 10h, até as 18h desta sexta-feira ele ainda não tinha passado.

– Ela disse que hoje,(sexta-feira 29) mais ou menos 10h da manhã, estava esperando o ônibus. Às 14h o ônibus não havia buscado e ela não havia almoçado. Ouvi dizer que está super mal organizado – disse Kassyane ao ge.

Pais e técnicos relatam "caos" na organização nos Jogos Escolares Brasileiros, no Rio
Protesto contra organização dos JEBs — Foto: Reprodução Instagram

Pouco mais tarde, ela contou ao ge que, cansados de esperar, atletas e treinadores decidiram fazer um rateio e comprar comida por conta própria.

Maria Clara contou que o aguardado ônibus apareceu no hotel apenas às 19h50. A pesagem das categorias que serão disputadas neste sábado, entre as quais está a dela (até 58kg), estava marcada para acontecer às 18h. Ela não fez a aferição.

Ocorrências idênticas às contadas pela filha a Kassyane pulularam nas redes sociais, sobretudo na conta do próprio JEBs. Outro integrante da equipe do Ceará falou dos problemas que comprometeram até mesmo a participação na pesagem dos atletas.

– A Pesagem vai começar e o judô do Ceará continua sem transporte. No dia de hoje dia 29/09 do judô, 15 atletas e 04 técnicos não foram almoçar. Passamos o dia inteiro esperando pelo o transporte, perdemos a reunião técnica e agora prestes a 06 atletas ficarem fora dos combates, pois não há transporte. Fica a pergunta, não há nada a ser feito? Aguardamos uma posição concreta! A organização dos JEB’S é da CBDE uma verdadeira desorganização. Essa mensagem passei agora a pouco para os responsáveis estou repassando para todos ficarem cientes. Os alunos fizeram lanche e outros almoçaram por aqui mesmo – escreveu Cassio Januário Nobre, que acompanha a delegação de judô cearense, em um comentário no Instagram.

Pais denunciaram em suas contas que atletas ficaram horas no aeroporto Santos Dumont à espera de transporte – alguns até mesmo dormiram no saguão. No Parque Olímpico da Barra houve filas de horas para o credenciamento dos atletas e para alimentação.

Segundo mais relatos das redes sociais, a comida era improvisada: cachorro quente ou macarrão com salsicha eram os pratos mais ofertados, alimentação fora do padrão em uma competição que reúne atletas, ainda que jovens.

Pais e técnicos relatam "caos" na organização nos Jogos Escolares Brasileiros, no Rio
Protesto contra organização dos JEBs — Foto: Reprodução Instagram

– Um absurdo tudo que vocês estão fazendo com nossas crianças, minha filha sonhava com essa competição, virou pesadelo, não adianta sair de bonito no Instagram, aqui relatamos todo descaso que as crianças – escreveu Guto Souza em um comentário.

Houve delegação que ficou quase 24h para conseguir um alojamento definitivo

– Saímos de Natal ontem [quinta] às 14h30, fizemos uma pequena escala no Recife, pegamos o voo em direção ao Rio de Janeiro, onde chegamos por volta de 20h30. Pegamos um ônibus, fomos para o Centro Olímpico e só duas horas depois conseguimos jantar. Nos deparamos com uma cena de caos. Muito sujo, a comida era macarronada com salsicha, isso para atletas que representam os estados. Muito ruim, não tem uma nutricionista acompanhando. E ainda fica pior a história. Saindo de lá por volta de 0h, fomos para um hotel, que fica em Copacabana. Chegando no hotel, ficamos sabendo que não tinha nossa vaga e o hotel ia ver se conseguia algumas vagas para a gente dormir, coisa que não aconteceu. Por volta de 3h40, recebemos indicação de que iríamos para um hotel no Centro. Chegamos nele por volta das 5h, onde fizemos o check-in e dormimos duas ou três horas, no máximo. Fizemos o café da manhã, depois dele fomos comunicados que não íamos mais ficar neste hotel e ficamos das 11h até 15h30 no saguão dele esperando ônibus. Ele chegou por volta de 15h30 e fomos para o Parque Olímpico novamente. Para se ver o nível de descaso, chegamos ao Parque Olímpico e uma parte da delegação conseguiu almoçar, mas a outra não. Só agora [por volta de 19h30 desta sexta-feira] conseguimos fazer o check-in em um hotel na Barra. Muito difícil a situação, uma falta de organização tremenda, uma falta de respeito com os atletas. Nós saímos do Nordeste, viemos de longe, com os pais confiando na organização, e gera esse transtorno todo – contou o técnico de tênis de mesa Denys Victor, da equipe do Rio Grande do Norte.

A reportagem recebeu imagens de filas gigantescas no Parque Olímpico, seja para que os atletas tivessem acesso ao refeitório seja para pegar transporte.

Os JEBs aceitarão público devido a um decreto publicado pela Prefeitura do Rio. Cada uma das instalações poderá receber até 50% de sua capacidade, e quem quiser assistir aos jogos precisará comprovar que está com duas doses da vacina contra a Covid-19 – a segunda dose deve ter sido tomada há pelo menos 14 dias.

‘Responsabilidade da CBDE’

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania afirmou que a responsabilidade pela organização dos JEBs é da CBDE, e que o papel da pasta era financiar o evento.

Ela também disse que “está ciente” dos problemas de acomodação e comida com os participantes. Segundo a secretaria, a CBDE afirmou que todos os jovens que desembarcaram no Rio na quinta-feira já estão devidamente hospedados. Participantes ouvidos pelo ge, porém, sustentam que só foram acomodados no início da noite desta sexta.

Veja a nota enviada pelo Ministério da Cidadania:

A Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania esclarece que a organização dos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s) é de responsabilidade da Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE). O papel da secretaria nos Jogos refere-se exclusivamente ao financiamento do evento, não tendo, portanto, ingerência nas questões operacionais da competição.

A pasta está ciente dos problemas relativos à hospedagem e alimentação dos participantes reportados na quinta-feira (28.10) e foi informada pela CBDE de que todas as crianças que desembarcaram no Rio de Janeiro naquela data já estão devidamente hospedadas, bem como os demais membros das delegações. Confiamos no sucesso do evento e todas as questões pontuais serão solucionadas de modo mais célere possível pela organização.

Fonte: GE – G1