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sábado, 17 de outubro, 2026

Pais protestam contra fechamento de escola rural

20/08/2015 14h

Secretária de Educação afirma que unidade conta com apenas 53 alunos e gera um gasto de cerca de R$ 45 mil por mês

Novanews

Nos últimos dias, a informação sobre o possível fechamento da Escola Municipal Professora Bernadete Teixeira, localizada na região dos Assentamentos São João, São Luiz e Mercedina, em Batayporã, gerou impasse entre pais de alunos e a Secretaria de Educação. Segundo os pais, eles não concordam com o fechamento da única escola rural do município. “O lema do nosso país é ‘Patria Educadora’ e, infelizmente fomos surpreendidos com a notícia do fechamento da unidade. Não concordamos com isso”, disse Ângelo Vicente Varella, morador do local.

Nas palavras dos moradores dos assentamentos, com o fechamento da escola, os estudantes do Pré-Escolar e do 1º ao 4º Ano teriam que depender de ônibus para estudar na cidade, o que os pais consideram um desgaste desnecessário, uma vez que, de acordo com eles, já existe uma escola para atender a população daquela localidade. “Penso que os administradores devem investir mais em Educação e economizar em outras áreas. Todos sabemos que a Educação é o que garante um futuro digno para todo cidadão”, afirmou um pai.

Diante do impasse, os pais de alunos realizaram um abaixo assinado para solicitar que a unidade educacional permaneça em funcionamento. Na terça-feira (18), um grupo de moradores dos assentamentos realizou uma reunião nas dependências da escola. O ato contou com a presença dos vereadores Cícero Leite, Edmilson Gaizeiro, Nida Tracha, Jaqueline da Olaria, Miguel do Sindicato e Maurício Ribeiro.

Além dos vereadores, a diretora da escola Cleuza Bernegozzi e algumas lideranças locais também se manifestaram contrários à desativação da escola. “O município diz que a escola gera altos custos aos cofres públicos, mas não acreditamos que isso seja verdade. Em nossa opinião uma escola deste porte não gera tantas despesas assim. Nossos filhos são crianças pequenas que terão que acordar bem mais cedo, pegar ônibus, percorrer um trajeto em estrada de chão e chegar mais tarde em casa”, reclamou um pai de aluno.

Outro lado

Na manhã desta quarta-feira (19), o Nova News ouviu a secretária municipal de Educação de Cultura da cidade de Batayporã, Ana Maria de Almeida, para obter informações sobre o fechamento da Escola Municipal Professora Bernadete Teixeira.

De acordo com a secretária, diante da crise enfrentada por muitos municípios, uma reunião foi realizada nas dependências da escola a fim de decidir sobre a transferência dos 53 alunos, que atualmente estudam na escola. A medida seria para reduzir gastos aos cofres públicos, porém, de acordo com a secretária, os pais não teriam acatado a proposta de transferência dos alunos para uma unidade urbana.

Segundo a secretária de Edução, a Escola Bernadete Teixeira custa, aos cofres do município, cerca R$ 45 mil por mês, sendo, R$ 30 com folha de pagamento dos servidores e R$ 15 com manutenção, alimentação dos alunos, produtos de limpeza e outros materiais.

“Antes de qualquer iniciativa fizemos uma consulta junto ao Conselho Estadual de Educação, na intenção de reduzir gastos, mas diante da recusa dos pais, a escola vai continuar funcionando normalmente durante o ano letivo de 2015. No próximo ano, a Administração Municipal fará um estudo para analisar se é ou não viável o funcionamento da escola”, explicou Ana.

Ela frisou que, se, porventura, a escola for de fato fechada, os alunos irão receber o transporte com a presença de uma monitora para acompanhá-los durante todo o trajeto, que dura cerca de 40 minutos. Ana Maria ainda frisou que a democracia é garantida e que os pais podem fazer sim qualquer tipo de protesto, mas sempre prezando pela ordem e respeito.

“Eu particularmente amo aquela escola. Fui a primeira professora daquela unidade e isso pra mim é muito simbólico. Entendo o lado dos pais, mas sei que manter uma escola com 53 alunos em funcionamento não é tarefa fácil”, disse Ana. Nas palavras da secretária, após a reunião com a comunidade escolar, foi elaborada uma ata assinada por todos os presentes.

No final do documento, foi relatado que a escola permanecerá em funcionamento durante o ano de 2015 e que, em 2016, pode ser elaborado um processo de fechamento. Segundo a comunidade dos Assentamentos São João, São Luiz e Mercedina, outros movimentos contrários à medida devem ser articulados nos próximos meses.