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segunda-feira, 19 de outubro, 2026

Para incentivar pacientes a largar o vício, unidade propõe trocar cigarro por maçã


Com o objetivo de chamar a atenção e incentivar os pacientes a largarem o vício do tabaco, a Unidade de Saúde da Família (USF) do Bairro Alves Pereira criou uma iniciativa curiosa e criativa. A proposta da unidade é oferecer uma maçã em troca de um cigarro.
A ideia foi apresentada pela enfermeira Pamela Ribeiro Ramos, e abraçada por todos os servidores que estão engajados na campanha, conforme explica a gerente da unidade Débora Carvalho.
“Nós estávamos pensando em uma ação para fazer neste mês em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo e então surgiu esta ideia e todos ficaram muito animados. A iniciativa tem a participação de todos os servidores da unidade, desde a produção dos cartazes e do recipiente para coleta do cigarro, até a contribuição para a compra das maçãs que são oferecidas aos pacientes”, diz.
Segundo a gerente, a adesão tem sido satisfatória, considerando que muitos pacientes relutam em dar o primeira passo e se desfazer do cigarro. Até o momento, 15 cigarros já foram coletados.
A ação deve ocorrer durante todo o mês vigente e no dia 24 de agosto está programado o “Dia D” na unidade, com a participação de profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).
Atualmente a unidade não conta com grupo de tabagismo, mas todos os pacientes são acolhidos e orientados de maneira individual. Os profissionais devem passar ainda por capacitação para que seja possível iniciar as atividades.

Tratamento

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) oferece tratamento para pacientes que desejam largar o vício da nicotina, por meio de acompanhamento com equipe multidisciplinar de profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e outros.

O dependente pode procurar a unidade básica de saúde mais próxima da residência e ele será encaminhado para tratamento. Inicialmente, o paciente passa por uma avaliação para considerar se ele é um fumante leve, moderado ou pesado.

Após a avaliação, o tratamento consiste com consultas com consultas individuais ou sessões de grupo de apoio, nas quais o paciente fumante entende o papel do cigarro na sua vida, recebe orientações de como deixar de fumar, como resistir à vontade de fumar, e principalmente, como viver sem cigarro.

Em razão da pandemia de Covid-19, o atendimento ocorre de maneira individualizada em 17 unidades de saúde da Atenção Primária e no Centro de Especialidade Médicas (CEM), por meio de encaminhamento. O tratamento pode durar até 1 ano.

Tabagismo

O tabagismo é uma doença causada pela dependência química da nicotina. Oferecer tratamento aos que desejam parar de fumar é uma importante estratégia de controle do tabagismo.

A dependência ocorre pela presença da nicotina nos produtos à base de tabaco. A dependência obriga os fumantes a inalarem mais de 4.720 substâncias tóxicas, como: monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, além de 43 substâncias cancerígenas, sendo as principais: arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas.

Algumas dessas substâncias tóxicas também são conhecidas como potenciais irritantes, pois produzem irritação nos olhos, no nariz e na garganta, além de paralisia nos cílios dos brônquios. Desse modo, o tabagismo é causa de aproximadamente 50 doenças, muitas delas incapacitantes e fatais, como câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas.

A nicotina presente no cigarro, por exemplo, ao ser inalada produz alterações no sistema nervoso central, modificando assim o estado emocional e comportamental dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, heroína e álcool. Depois que a nicotina atinge o cérebro, entre 7 a 19 segundos, libera várias substâncias (neurotransmissores) que são responsáveis por estimular a sensação de prazer que o fumante tem ao fumar. Com a inalação contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o mesmo nível de satisfação que tinha no início. Esse efeito é chamado de “tolerância à droga”. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros. Com a dependência, cresce também o risco de se contrair doenças crônicas não transmissíveis, que podem levar à invalidez e à morte.