11/10/2014 06h40
“Na época, para nós foi uma grande conquista, porque o estado era muito grande.” contou Pompeu
Diário MS
Mato Grosso do Sul completa hoje sábado, seu aniversário de 37 anos de criação. Em 11 de outubro de 1977 foi aprovada lei que desmembrou a parte sul de Mato Grosso para a criação do novo Estado. A população sul-mato-grossense se sente orgulhosa com o nome que ganhou, tanto que repudia quem comete a gafe de chama-la de ‘mato-grossense’. No entanto, quem é de fora do Estado, ainda faz confusão para distinguir que são duas unidades federativas diferentes e que seu povo busca uma identidade própria.
O advogado aposentado, Oduvaldo de Oliveira Pompeu, conhecido como ‘Tele’ é um dos pioneiros da cidade e de família tradicional. Ele conta como a divisão do Estado foi boa, uma conquista dos moradores do sul de Mato Grosso.
“Na época, para nós foi uma grande conquista, porque o estado era muito grande. Foi bom em todos os aspectos, os municípios do sul se desenvolveram bastante. Cuiabá na época era a capital do Estado e para conseguirmos alguma coisa tínhamos que ir até lá e demorava dias para chegar. Antes da divisão a população já estava ansiosa pela mudança”, contou Pompeu.
No entanto, mesmo passados 37 anos, muitos brasileiros ainda tem dificuldade em diferenciar um Estado do outro, o que interfere na questão econômica. A professora de turismo, Dores Cristina Grechi, disse que é nítida a constatação deste problema. “O restante do país tem dificuldade em entender que se trata de dois e não um só. Os turistas quando decidem visitar o Pantanal, por exemplo, não sabem diferenciar, acham que os dois Estados são iguais, apesar de contemplarem o Pantanal existe uma diferença neste caso”.
No dia 3 de maio de 1977, segundo historiador e professor Carlos Magno, houve debate para que MS se chamasse Estado de Campo Grande, mas houve rejeição no nome e depois tentaram mudá-lo para vários outros de cidades próximas. No final das contas, depois do desmembramento, ficou definido por apenas acrescentar o Sul no nome.
“Já houve algumas tentativas de mudar o nome do Estado, porém todas em vão, quem sofre com isso somos nós que não conseguimos conquistar a identidade sul-mato-grossense perante o Brasil. Quando se trata música tradicional, por exemplo, alguns lugares conhecem a tradição do Estado outros não”, contou Magno.
Ainda conforme o historiador a mudança de nome não resolveria, pois falta ao Estado criar uma identidade própria para ser divulgada. A criação de ícones pertencentes ao MS pode ser uma saída para a questão de identificação.
“Nós temos esta dificuldade em criar ícones próprios, o marketing e a mídia se encarregariam de nos promover para um maior reconhecimento. Nosso estado é novo e precisa de uma identidade mais forte para mudar esta realidade. Já houve campanhas para a mudança de nome, mas acredito que não resolveria, por que a questão é cultural”, explicou o professor.
Já para o advogado, Maurício Rasslan, que mora em Dourados antes da divisão, a mudança do nome traria benefícios ao Estado por que seria mais reconhecido pelos brasileiros. “Se mudássemos o nome do Estado no começo seria estranho, a população iria demorar um tempo para se acostumar, mas os benefícios seriam excelentes. Economicamente seria ótimo, pois criaríamos um nome, uma cara, uma identidade para nós mesmo, o que despertaria curiosidade aos turistas. Um nome diz muito a respeito de algo e falta ao Estado ter esse nome que o identifique do jeito que é e seja reconhecido”, sugeriu o advogado.
Rasslan explicou que para alterar o nome do Estado seria necessária a tramitação de um projeto de lei na Assembleia Legislativa e a sanção pelo Poder Executivo. Porém provavelmente antes disso haveria um Referendo Popular para saber a opinião dos sul-mato-grossenses.
(Jéssica Sampatti, de Dourados)

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