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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

Pedido de vista adia decisão sobre pena de José Carlos Bumlai em processo na Lava Jato

27/03/2018 06h30

Pecuarista foi condenado a 9 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e gestão fraudulenta, acusado de receber empréstimo ilegal.

G1

O julgamento de apelação criminal do pecuarista José Carlos Bumlai foi interrompido na tarde desta segunda-feira (26) no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) após o pedido de vista do desembargador Victor Laus, o terceiro a votar. O processo da Lava Jato tem outros réus.

Bumlai foi condenado a 9 anos e 10 meses de prisão em 2016, e está em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao seu estado de saúde. O réu sofre de cardiopatia e trata de um câncer na bexiga. A defesa pede que ele seja inocentado.

Os três desembargadores divergiram em seus votos. O relator João Pedro Gebran Neto disse entender que “não há prova de que Bumlai tenha atuado para prática do crime de corrupção no seio da Petrobras”. Ele decidiu reduzir a pena para 6 anos 9 meses.

O revisor Leandro Paulsen, diferente de Gebran, entende que há participação de Bumlai no crime de corrupção. O desembargador Victor Laus disse não estar convencido da participação do réu no delito de gestão fraudulenta, e decidiu pedir vista.

Não há data para o julgamento ser retomado.

O pecuarista foi preso em novembro de 2015, durante a 21ª fase da Operação Lava Jato, em Brasília. Ele havia sido condenado pelo juiz federal Sérgio Moro em primeira instância por crimes de gestão fraudulenta e corrupção passiva.

Bumlai foi condenado pela obtenção de um empréstimo no Banco Schahin no valor de R$ 12 milhões, em 2004. Além disso, também foi condenado pela participação, solicitação e obtenção de vantagem indevida no contrato entre a Petrobras e o Grupo Schahin para a operação do Navio-Sonda Vitória 10.000.

Na sentença, Moro destacou que o empréstimo foi fraudulento e que o real beneficiário dos valores foi o Partido dos Trabalhadores (PT). “Não há divergência, nas confissões, quanto a isso e a prova documental e testemunhal já revela o fato”, apontou o magistrado.

Na mesma sentença, também foram condenados o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, além de outros réus.

Condenações em primeira instância:

1 – José Carlos Bumlai (pecuarista) – gestão fraudulenta e corrupção passiva, 9 anos e 10 meses

2 – Eduardo Costa Vaz Musa (ex-gerente da Petrobras) – corrupção passiva, 6 anos

3 – Fernando Falcão Soares (empresário) – corrupção passiva, 6 anos

4 – Fernando Schahin (ex-executivo do grupo Schahin) – corrupção ativa, 5 anos e 4 meses

5 – João Vaccari Neto (ex-tesoureiro do PT) – corrupção passiva, 6 anos e 8 meses

6 – Milton Taufic Schahin (executivo do Grupo Schahin) – gestão fraudulenta e corrupção ativa, 9 anos e 10 meses

7 – Salim Taufic Schahin (executivo do Grupo Schahin) – gestão fraudulenta e corrupção ativa, 9 anos e 10 meses

8 – Nestor Cerveró (ex-diretor da área Internacional da Petrobras) – corrupção passiva, 6 anos e 8 meses

O pecuarista José Carlos Bumlai foi preso em 2015, durante a 21ª fase da operação Lava Jato, mas foi posto em liberdade pelo STF (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão)

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