Mariana Vitória Lima, que era moradora de Amambai, foi arremessada em uma curva que tinha a “velocidade crítica” de 88 km/h, máxima para realizar o percurso em segurança.
De acordo com o laudo da Perícia, Rafael de Souza Carrelo, de 19 anos, dirigia o carro a 95 km/h quando a namorada, Mariana Vitória Lima, também com 19, que estava no capô do veículo foi arremessada e morreu. O caso aconteceu no dia 15 de maio deste ano, na Via Park, rua em uma área nobre de Campo Grande.
O diretor do Instituto de Criminalista da capital, Emerson Lopes dos Reis, explica que o carro dirigido por Rafael estava acima da “velocidade crítica” para a curva, onde o jovem perdeu o controle do veículo.
Reis explica que todas as curvas, quando projetadas levam em consideração uma velocidade limite para que o determinado veículo consiga concluir o trajeto de forma segura e sem perder o controle. “Então o perito mediu o raio dessa curva e com isso ele conseguiu essa velocidade critica do contorno da curva, que deu 88 km/h”, explicou Reis.
No caso do acidente de Mariana, a Perícia apontou que a alta velocidade foi determinante para o acidente, momento em que o jovem perdeu o controle do carro e ocasionou a morte de Mariana.
No início das investigações, a Polícia havia afirmado que o suspeito, Rafael de Souza Carrelo, conduzia o veículo em alta velocidade e teria parado o carro apenas, após bater em um poste. O laudo apresentado pela Perícia nesta semana foi elaborado encima das imagens de câmeras de segurança e marcas examinadas no local do crime.

Reis explica que a Perícia consegue determinar desde o ponto em que Rafael perde o controle do carro, depois realiza a curva em velocidade alta, derrapa e atinge uma guia, no canteiro da via. O perito explica que o jovem percorre 17,3 metros da curva, até atingir um poste.
“Nesse meio termo, é a posição em que o corpo foi encontrado, muito provavelmente a moça caiu do capô do carro entre esses dois trechos. Podemos afirmar categoricamente aqui porque teve socorro, imagens que mostram ele colocando ela no colo. Deste ponto até a colisão com o poste ele percorre mais 17,3 metros dai ele atinge um poste metálico, deixa vestígios do veículo e aqui dessa posição até a de repouso final ele percorre mais 40 metros”, detalha Reis.
O perito aponta que Rafael teria percorrido quase 80m desde o instante em que ele perde o controle da direção do carro até a situação de repouso final do veículo. “As marcas de derrapagem indicam exatamente perda de controle, então todo o trecho você encontra essas marcas características de derrapagem, não é um processo de frenagem em si, mas um processo em que o veículo ao mesmo tempo em que ele está numa direção de movimento o carro está rotacionando, ou seja, perdendo o controle”, complementa Reis.
O laudo pericial foi enviado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a fim de realizar a denúncia do caso. O promotor de justiça Ricardo Crepaldi se manifestou e enviou a inquérito para a 1ª Vara do Tribunal do Júri, órgão do poder judiciário que tem a competência para julgar os crimes dolosos, ou intencionais, contra a vida.
O advogado de Rafael, Marlon Chaves, disse que vai contestar o laudo pericial no momento oportuno. A defesa afirma que o jovem segue em prisão domiciliar e pode responder por homicídio culposo.
O acidente
O acidente que resultou na morte de Mariana aconteceu na avenida Via Parque quando Mariana e o suspeito voltavam de uma festa. Segundo a polícia, na versão de Rafael, o casal estava comemorando o aniversário de um primo dele e lá ambos ingeriram bebidas alcoólicas.
Da casa do primo, o casal foi de carro de aplicativo até o apartamento do rapaz e saíram com o automóvel de Mariana para ir lanchar em outro local. No entanto, a lanchonete estava fechada. Em um determinado momento, Mariana subiu no veículo.
O suspeito de matar Mariana, então, perdeu o controle da direção ao fazer uma curva. O carro subiu no meio-fio, bateu em uma árvore, ponto onde Mariana caiu, e depois parou em um poste.
No primeiro momento, Rafael não falou à polícia que ele também havia estado no capô. Disse somente quando interrogado na Deam.
Rafael foi autuado em flagrante feminicídio com dolo eventual e por dirigir embriagado. Porém, depois de apresentar uma nova versão a polícia, o jovem passou a responder pela embriaguez e por homicidio culposo.
Versão de Rafael

Uma das primeiras linhas de investigação apresentada pela Polícia Civil era de que Mariana teria subido no capô do carro para impedir que o namorado, alcoolizado, dirigisse. A defesa e o próprio suspeito alegaram que a ação de imprudência seria resultado de uma “brincadeira”. Com as primeiras informações, a polícia iniciou as investigações e a procura por imagens que refutem ou confirmem as versões.
Com as imagens obtidas após o crime, o caso passa a ser entendido em uma ordem cronológica. Um vídeo no início da noite do caso, registrado a partir das 4h23 do dia 15 de maio deste ano mostra Rafael entregando a direção para Mariana e em seguida subindo no capô do carro.
Depois, às 4h28, as primeiras imagens recebidas pela Polícia Civil, ainda no sábado (15), mostram uma pessoa sobre a parte frontal do carro, mas a polícia não conseguiu identificar quem seria. E, após este momento, o acidente que matou Mariana ocorreu a alguns metros de onde os vídeos foram gravados.
Com as novas imagens, o advogado de Rafael, Marlon Chaves, disse que o caso foi uma “brincadeira entre o casal de namorados que terminou de forma extremamente trágica”. Ele ainda disse que a intenção da defesa não é que o rapaz se furte da punição, mas que “responda pelo que fez de forma justa”.
Depois do depoimento e análise das imagens, o crime que antes estava tipificado como feminicídio, recebeu outro parecer da juíza Eucélia Moreira Cassal, que entendeu que houve homicídio culposo na direção de veículo. Diante disso, a juíza não converteu o flagrante em prisão preventiva e determinou que o suspeito fique em casa, com monitoramento eletrônico, só saindo com autorização judicial.
Fonte: G1 MS

