14/02/2014 13h40
Mulher do empresário assumiu crime e está presa em Tremembé
G1
Peritos da Polícia Técnico-Científica realizam a reconstituição de como o corpo do empresário Marcos Matsunaga, morto em 2012, foi encontrado em Cotia, na Grande São Paulo, nesta sexta-feira (14) a pedido da promotoria.
A mulher do empresário, Elize Araújo Kitano Matsunaga, está presa preventivamente após confessar matar o marido com um tiro na cabeça, ter cortado o corpo, colocado em malas e jogado partes na Estrada dos Pires, em Cotia. Ela deve ser julgada neste ano.
Segundo o promotor José Carlos Cosenzo, a reconstituição ou reprodução simulada desta sexta-feira, de como os restos mortais do empresário foram encontrados na Estrada dos Pires não havia sido feita e faz parte de inquérito que apura a participação de uma segunda pessoa no crime. Exames da perícia teriam identificado um outro material genético diferente de Marcos e a mulher. Elize, que está presa em Tremembé, não vai participar da reconstituição desta sexta-feira. A reconstituição da morte de Matsunaga no apartamento do casal foi feita em agosto de 2012.
Elize é bacharel em direito responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima). Os defensores de Elize discordam, no entanto, que ela tenha agido com torpeza (vingança) e crueldade (o empresário estaria vivo quando foi esquartejado) ao matar Marcos.
Por esse motivo, a defesa entrou no Tribunal de Justiça de SP (TJ-SP) com uma solicitação, chamada de “razões de recurso em sentido estrito”. Ao todo, são 105 páginas alegando que Elize atirou em direção ao diretor executivo da Yoki porque foi agredida por ele quando descobriu que era traída.
“Ela não premeditou o crime como diz a acusação. Ela não quis se vingar do marido porque ele a traiu. Ela não quis ficar com o dinheiro dele. Ela também não o cortou quando ele estava vivo”, disse o advogado de Elize, Luciano Santoro. “Ela pegou a arma e disparou movida por forte emoção depois de Marcos ter batido na cara dela”.
O objetivo da defesa da ré é que os desembargadores do TJ-SP aceitem seu recurso e Elize possa ser julgada somente pelo homicídio que impossibilitou a defesa da vítima (atirou a curta distância).
Questionado sobre o tempo que essas solicitações iriam demorar para serem apreciadas pelo tribunal, Santoro respondeu que, por causa dos recursos, o júri não irá ocorrer neste ano. “Mas do ano vem não passa. Será no ano que vem. Também quero que o julgamento ocorra tão logo até porque minha cliente está presa. Mas não posso deixar de argumentar quando a estão acusando de algo que ela não fez”, disse o advogado.
A decisão de levar Elize a júri foi do juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara do Júri de São Paulo. Ela é acusada pelo Ministério Público de matar e esquartejar o diretor executivo da Yoki, com quem era casada, e por ocultação de cadáver. O crime ocorreu em 19 de maio de 2012.


