28/08/2015 08h20
Em depoimento, presidente do Legislativo afastado identifica ‘Goiano’.
G 1 MS
Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o presidente afastado da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Mario Cesar (PMDB), identificou o “Goiano” que aparece várias vezes em escutas da operação Lama Asfáltica. Segundo o peemedebista, o personagem é o ex-prefeito afastado da capital sul-mato-grossense, Gilmar Olarte (PP).
De acordo com o Gaeco, Goiano foi fundamental na compra de votos para a cassação do então prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), em março de 2014.
A produção da TV Morena tentou entrar em contato com o prefeito afastado Gilmar Olarteque não atendeu às ligações.
O G1 também tentou entrar em contato com o vereador Mario Cesar, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A assessoria do presidente da Câmara também não atendeu às ligações.
Em uma interceptação telefônica, o empresário João Amorim faz as contas de quantos votos esse tal Goiano conquistou.
Fabão: O Goiano, ontem, me garantiu, me garantiu que fechou o pastorzinho, aquele, da Cruz, lá.
João Baird: Certo. Que que se acha que dá?
Fabão: Todo mundo faz a conta de 22.
João Baird: Hum hum.
Fabão: A minha conta pode ser 23. Podendo chegar a 24.
João Baird: É, né?
Para o Ministério Público do Estado (MP-MS), as investigações apontam esquema para cassar o pepista com participação dos nove vereadores investigados.
Diante dos fatos, o MP vai pedir ao Legislativo Municipal abertura de procedimento para avaliar a quebra de decoro parlamentar dos suspeitos, que pode levar à cassação.
Afastamento
Olarte e Mário César foram afastados dos seus cargos na manhã de terça-feira (25), em razão da suspeita de corrupção ativa e passiva na votação da Câmara que cassou o mandato do ex-prefeito Alcides Bernal, em 12 de março de 2014.
O afastamento dos dois é um desdobramento da Operação Coffee Break, do Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual e foi determinado pelo desembargador Luiz Claudio Bonassini da Silva, do TJ-MS, a pedido do MP.
Volta
Bernal foi reconduzido ao cargo de prefeito após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS). Sendo uma liminar, o mérito ainda será julgado, mas não tem data definida. Ele ficou um ano e cinco meses após ter o mandato cassado pela Câmara.
Nesta quinta-feira (27), o pepista ocupou o gabinete no Paço Municipal. “Campo Grande está quebrada”, afirmou ao entrar na prefeitura.


