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Piloto suspeito de participar da morte de chefes do tráfico tem empresa de aluguel de helicópteros

15/05/2018 09h

Felipe Ramos de Morais tem uma condenação por tráfico de drogas, estava foragido e foi preso nesta segunda (14) em Caldas Novas. Duas das aeronaves da empresa estão aptas para voar.

G1

Felipe Ramos de Morais, acusado de pilotar o helicóptero que levou dois chefes de uma facção criminosa de São Paulo para uma emboscada no Ceará, mantém em Goiânia (GO) uma empresa de aluguel de aeronaves. São quatro helicópteros modelo Robinson 44 no nome da empresa de Felipe, sem intermediários. Ele foi preso na tarde desta segunda-feira (14) em Caldas Novas.

Duas das aeronaves de Felipe, que já tem uma condenação por tráfico de drogas, estão aptar para voar segundo registro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Já outras duas estão proibidas de voar pelo órgão. Elas eram pilotadas por Felipe em dois casos de envolvimento com tráfico.

O piloto estava foragido da Justiça por suspeita de participar da execução de Paca e Gegê do Mangue, chefes do PCC, em fevereiro deste ano. Segundo as investigações, eles foram deixados pelo piloto no local onde depois acabaram torturados e mortos.

Prisões

Um dos helicópteros da empresa em Goiânia, com matrícula PR-HDA, era pilotado por Felipe quando ele foi preso no Ceará em 2012 transportando 173 kg de pasta base de cocaína. Neste caso, o piloto foi condenado na 2ª instância, no mês passado, a seis anos e dois meses de prisão no regime semi-aberto.

Apesar do flagrante, a aeronave foi devolvida para Felipe no mesmo ano da apreensão. A decisão foi do juiz federal Gustavo Melo Barbosa, que disse não haver “qualquer razão para manter a custódia do helicóptero”.

A situação da aeronave na Anac é de “apreensão administrativa”. Segundo o órgão, nesse caso o helicóptero fica sob responsabilidade do proprietário, mas seus códigos são bloqueados e não é possível solicitar planos de voo.

“Em caso de descumprimento das restrições, o proprietário/operador estará incorrendo em crime podendo ser indiciado penalmente”, afirma a Anac.

Já o helicóptero de matrícula PP-MOB tem registro como “aeronave interditada”, que não pode realizar voos. Ele era usado por Felipe em 2015, quando foi preso novamente por suspeita de transportar drogas em Sorocaba. Sobre esse caso, há um processo em tramitação na Justiça Federal de São Paulo.

Os outros dois helicópteros da empresa de Felipe têm permissão para voar até 2021 e 2023, segundo os registros da Anac.

A reportagem perguntou à Força Aérea Brasileira quais foram as últimas vezes em que as quatro aeronaves voaram, mas a FAB afirmou que esses documentos são “considerados pessoais” e não respondeu.

Delegados da polícia de São Paulo apontam Felipe como o piloto que coordena as rotas aéreas de tráfico de drogas do PCC. Entre março e abril, foram apreendidos outros helicópteros que, segundo os investigadores, eram de Felipe, mas estavam no nome de laranjas.

Empresa

A empresa Felipe Ramos Morais ME. foi aberta em 2011. No endereço do registro está um escritório de contabilidade, Garcia Soluções Contábeis.

O contador Deividy Garcia, dono do escritório no bairro Jardim Novo Mundo, em Goiânia, disse que foi procurado por Felipe há mais ou menos dois anos. Na ocasião, o piloto afirmou que tinha uma empresa de táxi aéreo registrada no endereço do apartamento dele.

“Quando a gente foi abrir a inscrição dele no Sefaz (Secretaria da Fazenda), não aceitou abrir no apartamento, sabe? Aí ele foi e falou: ‘Você não pode colocar no seu escritório, não?’. Eu falei: ‘Posso’. Porque eu tenho algumas empresas aqui no escritório”, afirmou.

Garcia diz que não fala com Felipe há mais de seis meses e garante que nunca soube das atividades ilegais do cliente. O contador afirma que ficou sabendo do envolvimento do piloto com o tráfico de drogas ao ver uma reportagem na televisão.

“Nossa senhora, assustei demais… Eu fui pelo nome, quando eu vi Felipe Ramos Morais, falei: ‘nossa, é cara do helicóptero’. Aí ele desapareceu, ficou devendo a gente”.

Helicóptero que tinha sido apreendido com drogas e depois foi devolvido para Felipe Ramos de Morais (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Felipe Ramos de Morais, piloto foragido da Justiça suspeito de participar das mortes dos traficantes Gegê do Mangue e Paca (Foto: Reprodução/TV Globo)