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segunda-feira, 29 de junho, 2026

“Polarização sem precedentes” transfere júri por morte de jogador esquartejado

A transferência foi determinada pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) por meio de desaforamento

O julgamento dos acusados de matar e esquartejar o jogador Hugo Vinicius Skulny Pedrosa, de 19 anos, sairá de Sete Quedas e será realizado em Amambai. A transferência foi determinada pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) por meio de desaforamento, medida usada quando há dúvida sobre a imparcialidade dos jurados, risco à ordem pública ou à segurança dos réus.

O acórdão é de 13 de maio de 2026 e foi decidido por unanimidade pela 2ª Seção Criminal do TJMS, sob relatoria do desembargador Jairo Roberto de Quadros. No processo, Rubia Joice de Oliver Luvisetto, Danilo Alves Vieira da Silva e Cleiton Torres Vobeto foram pronunciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Já Patrick Eduardo do Nascimento e Noemi Matos de Oliver respondem por fraude processual. O tribunal determinou que o julgamento seja transferido para Amambai, mantendo a unidade do processo por conexão entre os crimes atribuídos aos corréus.

Rubia Joice está presa em Campo Mourão (PR) e Danilo está detido desde agosto de 2023, quando foi localizado em Iguatemi.

O desaforamento atende aos pedidos apresentados pelas defesas de Rubia Joice de Oliver Luvisetto e Cleiton Torres Vobeto. Rubia é representada pelos advogados Felipe Cazuo Azuma e Alberi Rafael Dehn Ramos. Já Cleiton tem como defensores Hildebrando Corrêa Benites e Hilderan Macedo Benites.

As defesas alegaram que a repercussão do crime poderia comprometer a imparcialidade dos jurados em Sete Quedas. No caso de Cleiton, ainda foi solicitado que o júri fosse levado para Ponta Porã, o que foi negado.

Ao analisar o caso, o relator ponderou que a repercussão midiática, a comoção social e a notoriedade da vítima não bastam, sozinhas, para tirar um júri da comarca onde o crime ocorreu. Para o TJMS, aceitar esse argumento como regra faria praticamente todo crime grave em cidade pequena ser julgado fora dali, o que seria uma distorção da medida.

Apesar disso, a Justiça entendeu que este caso tem circunstâncias concretas que justificam a exceção. O juiz da comarca de Sete Quedas informou ao tribunal que havia receio quanto à isenção dos jurados e risco de tumulto durante a sessão. Segundo o magistrado de origem, o crime provocou “polarização sem precedentes” na cidade, de aproximadamente 11 mil habitantes, e a malha social local dificultaria a formação de um Conselho de Sentença sem vínculos diretos ou indiretos com os envolvidos.

Para o relator, a manifestação do juiz de primeiro grau teve peso especial porque ele está mais próximo da realidade local. A 2ª Seção Criminal também considerou que Amambai tem estrutura suficiente para receber o julgamento e fica em comarca próxima, como prevê a legislação.

O caso – Hugo Vinicius Skulny Pedrosa desapareceu em junho de 2023, depois de sair de uma festa em Pindoty Porã, no Paraguai, cidade que faz fronteira com Sete Quedas. Conforme a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ele foi deixado por amigos na casa da ex-namorada, Rubia, e não foi mais visto.

Dias depois, partes do corpo do jogador foram encontradas no Rio Iguatemi. Exame de DNA confirmou que os restos mortais eram de Hugo.

Rubia foi apontada pela investigação como suspeita de participação na morte do ex-namorado. Danilo Alves Vieira da Silva também virou réu e, em audiência, confessou ter matado e esquartejado Hugo, mas alegou que agiu para defender Rubia durante uma briga. Conforme reportagens anteriores do Campo Grande News, também foram citados no processo Cleiton Torres Vobeto, amigo de Rubia, por ocultação de cadáver, além de Noemi Matos de Oliver e Patrick Eduardo do Nascimento, mãe e padrasto de Rubia, por suposta fraude processual.

Segundo a acusação, Noemi e Patrick teriam ajudado a encobrir vestígios do assassinato. Durante as investigações, os dois também teriam mentido ao dizer que Rubia estava com a família, versão apontada como álibi e depois derrubada.

Antes do desaforamento, o processo já havia passado por uma reviravolta. Em junho de 2025, o TJMS anulou a primeira decisão que mandava os réus a júri, após recurso do MPMS por excesso de linguagem e pela retirada de qualificadoras. Em agosto, nova pronúncia voltou a levar o grupo a julgamento, com a tipificação individualizada para cada acusado.

Fonte: Campograndenews