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domingo, 18 de outubro, 2026

Polícia apura se corpo esquartejado é de travesti

24/03/2014 13h30

Tronco estava enrolado em vestido vermelho, segundo delegado.

G1

A Polícia Civil investiga se as partes de corpo encontradas em sacos no entorno do Cemitério da Consolação, em Higienópolis, são de um travesti.
De acordo com o delegado Itagiba Franco, da divisão do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a polícia apura a hipótese de um assassinato cometido recentemente.

As partes do corpo, que estavam em sacos plásticos pretos, foram encontradas em três pontos do bairro na manhã de domingo (23).

Em entrevista nesta segunda-feira (24) ao G1, o delegado afirmou que a identidade e sexo da vítima esquartejada ainda são desconhecidos, mas que existe a suspeita de que seja um homem.

Como um vestido também foi achado dentro dos sacos e a região do cemitério é próxima de áreas de prostituição de travestis, os investigadores estão nas ruas em busca informações para saber se algum travesti desapareceu ou foi morto.

É uma possibilidade de que a vítima seja travesti, mas ainda é prematuro concluir algo. Pode ser que não tenha relação”, disse o Itagiba Franco. “Primeiro, é preciso identificar a vítima. Saber se alguém desapareceu. Alguma pessoa irá reclamar esse desaparecimento”, disse.

O caso foi registrado no 78º Distrito Policial, nos Jardins, como homicídio doloso qualificado, destruição, subtração ou ocultação de cadáver, segundo informou nesta segunda-feira (24) ao G1 assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP).

Apesar de registros de furtos ao Cemitério da Consolação, o delegado descartou que o corpo seria cadáver retirado de dentro de túmulo. “Em conversas com os peritos, soube que foi um assassinato recente e que a vítima deve ser um homem”, afirmou Itagiba Franco. O delegado, porém, não estimou o provável horário do crime. “Isso é trabalho da perícia”.

Os investigadores suspeitam que o assassinato possa ter ocorrido na madrugada de domingo, devido ao estado em que o corpo foi encontrado.

Com mais de 30 anos trabalhando como policial, Itagiba afirmou que, pela sua experiência em tentar desvendar assassinatos, o que ocorreu nesse caso pode ter sido crime passional ou de execução. “Acho que foi crime interno dentro de algum imóvel da região e o corpo foi desovado ao lado do cemitério.”

Para o DHPP, a hipótese de o autor do crime ser um serial killer também está descartada. “Deve ter sido assassinato de momento”, disse Itagiba. “Provavelmente quem cometeu o crime não tem prática em cortar corpos”, disse o delegado. Itagiba Franco ressaltou, porém, que o assassino quis dificultar a identificação da vítima. “As pontas dos dedos foram cortadas. Tiraram a pele, onde deveria ter alguma tatuagem. A cabeça e o órgão genital também foram arrancados e sumiram com eles”.

Até a manhã desta segunda-feira, o Instituto Médico Legal (IML), da Polícia Técnico-Científica, ainda não tinha concluído as análises nas pernas, braços e tronco achados decepados, que podem ajudar na identificação e na indicação do provável horário da morte. A cabeça e os dedos ainda não foram localizados e são procurados. Parte da pele do tórax, órgãos genitais e nádegas também foram removidos.

Mais de dez câmeras de monitoramento de segurança também estão sendo analisadas por investigadores para saber se gravaram quem deixou os pedaços humanos dentro de sacos plásticos espalhados em três esquinas de Higienópolis, bairro nobre da cidade.

Foto: Reginaldo Castro/Estadão Conteúdo