17/08/2016 06h
Soldado Hélio Vieira Andrade, de Roraima, foi morto por traficantes dia 10.
G1
Policiais Civis da Delegacia de Homicídios do Rio (DH) cumprem na manhã desta terça-feira (16) mandados de prisão contra dois traficantes da Vila do João e Vila dos Pinheiros, no Conjunto de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio. Até as 10h, três pessoas tinham sido presas e outras quatro baleadas na ação.
O local é o mesmo onde uma equipe da Força Nacional de Segurança foi atacada a tiros por traficantes na quarta-feira (10) passada. Um soldado morreu e outro teve ferimentos leves. Um terceiro militar que estava no veículo escapou ileso. A polícia procura os suspeitos em dois endereços na Vila do João. Os dois suspeitos da morte do militar continuam foragidos.
Segundo o delegado titular da DH, Fábio Cardoso, os três suspeitos mortos durante a operação estavam em uma moto, a menos 300 metros de onde a viatura foi metralhada. A investigação indica que o tiro que matou o soldado Hélio andrade pode ter sido disparado por uma pistola. “Eles estão foragidos, mas não vamos parar. Continuamos fazendo diligências”, afirmou Fábio Cardoso, titular da Divisão de Homicídios.
A polícia tenta cumprir mandados contra os traficantes Alexandre Ramos Nascimento, conhecido como Pescado, de 28 anos, e Thiago da Silva Folly, o TH. Os agentes da Força Nacional foram ouvidos na última sexta feira (12) na sede da DH. ” Um dos suspeitos, o Pescador, foi reconhecido por um dos agentes da Força Nacional”, disse a delegada Marcela Ortiz, que coordenou a investigação.
Ainda de acordo com a polícia, um dos traficantes da Maré procurados na operação desta terça, chegou a pedir abrigo ao traficante Fernando Guarabu, no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, também na Zona norte. O pedido, no entanto, foi negado, e a inteligência da Polícia Civil tinha a informação de que ele estaria na Vila do João. O suspeito não foi encontrado.
A polícia apreendeu drogas, como LSD, armas – três pistolas, carregadores de fuzis, munição – rádios comunicadores e veículos roubados recuperados. Também foi encontrado dinheiro na mochila dos três suspeitos mortos no tiroteio.
A operação também conta com o apoio da Divisão de Homicídios, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). De acordo com a polícia Civil, os autores do crime foram identificados após um minucioso trabalho investigativo.
Ministro promete apoio
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que vai ampliar o apoio logístico e financeiro para combater o tráfico de armas e de drogas. Ele informou que ois decretos devem ser publicados até o final do mês favorecendo as polícias, incluindo a compra de armamento e utilização de armamento apreendido. Os decretos, segundo Moraes, devem ser publicados até o final do mês.
De acordo com Moraes, os decretos trazem medidas que já deveriam ter sido tomadas, permitindo que a polícia possa utilizar armamento apreendido. Hoje, as armas são entregues ao Exército para serem destruídas.
“Segurança pública não é uma questão de polícia, porque joga nas costas desta todo o efeito de uma série de ausências de políticas publicas que causam a criminalidade. Mas a parte da polícia ela tem que fazer, com inteligência, com coragem, com competência, como foi feito aqui neste caso”, avaliou Moraes.
Ainda segundo o ministro, o projétil que matou o soldado da Força Nacional foi retirada de seu corpo, o que facilitará o trabalho da perícia. “Com essas apreensões, principalmente das armas, vamos comprovar a autoria pela balística”, disse o ministro.
No ataque da semana passada na Maré, o soldado Hélio Vieira Andrade, de 35 anos, foi ferido gravemente e passou por uma cirurgia. Ele teve morte cerebral decretada no dia seguinte. O corpo foi levado para Roraima, estado de origem de Vieira. O enterro aconteceu nesta segunda-feira (15).
De acordo com o coronel Dagoberto Gonçalves, o soldado morava no Rio desde 2015. Ele havia ingressado na PM de Roraima em 2003 e integrava a Força Nacional desde 2014.
Ocupante do veículo que entrou por engano no local, o capitão Alen Marcos Rodrigues Ferreira, que atua em Cruzeiro do Sul, no Acre, teve ferimentos leves. O soldado Rafael Pereira, do Piauí, que também estava no veículo, não se feriu.




