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segunda-feira, 17 de agosto, 2026

Polícia fecha inquérito e conclui que morte de fisioterapeuta foi feminicídio

Segundo a Polícia Civil, a prisão ocorreu após a conclusão de perícias que reuniram elementos considerados suficientes para comprovar a materialidade do feminicídio

A Polícia Civil concluiu que a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi um caso de feminicídio em Campo Grande. A investigação, conduzida pela DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), afastou a hipótese de suicídio inicialmente considerada e apontou que a vítima foi morta no contexto de violência doméstica e familiar.

Na sexta-feira (14), os policiais cumpriram o mandado de prisão preventiva contra o médico João Jazbik Neto, de 78 anos, apontado como suspeito do crime. A ordem foi expedida pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

Segundo a Polícia Civil, a prisão ocorreu após a conclusão de perícias que reuniram elementos considerados suficientes para comprovar a materialidade do feminicídio. Laudos produzidos pelo Instituto de Criminalística e pelo Instituto Médico Legal afastaram a hipótese de que Fabíola tivesse tirado a própria vida.

Durante a investigação, a 1ª DEAM ouviu testemunhas, analisou aparelhos celulares apreendidos e realizou outras diligências para esclarecer as circunstâncias da morte. Conforme a Polícia Civil, todas as medidas investigativas foram concluídas.

Com o encerramento das diligências, o inquérito policial será encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que deverá analisar os elementos reunidos e decidir sobre o oferecimento da denúncia.

Caso – Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi encontrada morta em Campo Grande. Inicialmente, a morte era tratada sob a hipótese de suicídio, mas a investigação passou a considerar a possibilidade de crime após a análise das circunstâncias e dos vestígios encontrados.

Em 28 de julho o Campo Grande News já havia adiantado que o laudo pericial afastava a possibilidade de tiro à curta distância, abalando a tese de suicídio. O laudo do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) descreve que os peritos não encontraram vestígios típicos de disparos realizados com a arma encostada ou muito próxima da pele.

Na sexta-feira (14) João voltou a ser preso após a Justiça decretar a prisão preventiva. A defesa do médico, porém, classificou a decisão como “descabida” e afirmou que o inquérito ainda não havia sido concluído quando a prisão foi determinada. Os advogados também sustentaram que ainda não existe processo contra o investigado nem denúncia oferecida.

Em manifestação divulgada nesta segunda-feira (17), a defesa afirma que o inquérito policial é um “procedimento inquisitivo, no qual não há contraditório nem exercício pleno do direito de defesa”. Segundo os advogados, eventual processo só terá início com o recebimento da denúncia pela Justiça, momento em que a defesa poderá apresentar resposta à acusação, apontar possíveis nulidades e requerer a produção de provas e contraprovas.

Ao final, a defesa afirma que o médico “se mantém firme na sua versão” e lamenta o que classifica como “exploração enviesada e sensacionalista” da morte da fisioterapeuta.

Com a confirmação do feminicídio, Fabíola passa a ser a 12ª vítima desse tipo de crime registrada em Mato Grosso do Sul neste ano, conforme a ordem cronológica dos casos.

(*) Matéria editada às 16h04 para acréscimo de nota da defesa

Fonte: Campograndenews