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Ponta Porã: 104 anos – Dos ervais nativos ao etanol

16/07/2016 18h

Dos ervais nativos ao etanol: um século de transformações econômicas

Ponta Porã completa na próxima segunda-feira 104 anos de emancipação político-administrativa. Em um pouco mais de um século de existência, o município, referência na região de fronteira, registrou uma série de transformações no setor econômico.

Conhecida e respeitada por conta da enorme produção de erva-mate consumida em diversas partes do mundo, Ponta Porã foi, ao longo do tempo, passando por transformações que hoje a caracterizam pela diversidade.

As atividades ligadas ao setor rural ainda são as principais fontes da economia. Os ervais deram lugar às pastagens e à agricultura moderna, mecanizada e que hoje utiliza avançada tecnologia, o que os técnicos chamam de “agricultura de precisão”, caracterizada pela existência de máquinas inteligentes e que cada vez mais contribuem para aumentar a produtividade das lavouras.

Estas mudanças provocam também alterações na paisagem do município. Há menos de uma década, o que se via nas áreas rurais era imensas lavouras de soja, milho e pastagens ocupadas por gado de altíssima qualidade. Tudo isso continua existindo, mas as grandes plantações de cana-de-açúcar tornaram-se a “novidade” no contexto rural.

Ponta Porã entrou no rol dos municípios que produzem uma das fontes energéticas alternativas, o etanol. O município conta com uma moderníssima usina, pertencente à Bunge, poderosa multinacional do agronegócio. Instalada a partir de 2007, a usina contribuiu par a introduzir uma nova fonte de recursos para a agropecuária. Muitos produtores se associaram á empresa par ao fornecimento da matéria prima para a usina e, desta forma, os canaviais se tornaram mais comuns na região.

Na área urbana o que se observa é uma expansão nos setores imobiliário e de serviços. A comercialização de imóveis passou por importante crescimento na última década por conta da grande procura por parte dos jovens estudantes universitários que estudam medicina nas sete faculdades de Pedro Juan Caballero.

São jovens oriundos de diversas partes do Brasil. E todos precisam de alojamento por um tempo considerável _ o curso demora em média seis anos _. Por isso a oferta de pequenos imóveis como as conhecidas quitinetes, cresceu muito. Tornando-se inclusive um investimento para quem quer obter uma renda interessante.

Além do aquecimento no mercado imobiliário a presença de cerca de 10 mil pessoas envolvidas com o ensino superior de medicina no país vizinho provocou uma mudança radical na prestação de serviços. O setor de gastronomia é um exemplo. Nunca Ponta Porã e Pedro Juan Caballero tiveram tantos estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes e lanchonetes como agora. Grandes redes internacionais se estabeleceram na fronteira e começaram a surgir muitos restaurantes especializados em oferecer comidas típicas de diversos países. Na fronteira é possível encontrar pelo menos dez estabelecimentos especializados na culinária japonesa, por exemplo.

ENSINO SUPERIOR

Mas não é apenas do lado paraguaio que se verifica crescimento nas ofertas de cursos superiores. Em Ponta Porã é cada vez maior o interesse pelos cursos oferecidos pelas instituições públicas e particulares.

A cidade conta com um número interessante de estudantes universitários matriculados em cursos presenciais nas seguintes instituições: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Instituto federal de Mato Grosso do Sul. As instituições particulares são FAP/UNIESP e Magsul.

Todas possuem mais de 2 mil alunos matriculados tanto nos cursos presenciais quanto naqueles oferecidos através do sistema EAD – Ensino à Distância.

Todas estas características contribuem para a diversificação das atividades sociais, econômicas e culturais na fronteira. A presença de pessoas diferentes, a introdução de altíssima tecnologia nas atividades econômicas, transformam Ponta Porã e consequentemente a fronteira, numa região bastante observada e desejada por quem sonha em crescer, melhorar, produzir riquezas, conviver e aprender num ambiente de diferentes culturas.

Assim, Ponta Porã, aos 104 anos, unida umbilicalmente com Pedro Juan Caballero, consolida a condição de referência na região de fronteira. A eterna “Princesinha dos Ervais” fica cada vez maior, dinâmica, cosmopolita. Moderna, sem perder suas raízes.

FONTE: JORNAL CHE FRONTEIRA

Foto: Tião Prado

Usina de poderosa multinacional estabelecida em Ponta Porã: em pouco mais de um século a agroindústria ganha espaço numa economia que começou com a extração ervateira.

Sede da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul: Ponta Porã possui cinco instituições de ensino superior oferecendo cursos presenciais e, com isso, se consolida como um polo universitário na fronteira com o Paraguai.