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Ponta Porã: HR lamenta morte de paciente e afirma não haver erro médico

11/02/2017 08h30

Ponta Porã: HR lamenta morte de paciente e afirma não haver erro médico

Francieli Colman teve filho em Ponta Porã e foi diagnosticada com depressão

Correio do Estado

A direção técnica do Hospital Regional Doutor José de Simone Netto, em Ponta Porã, informou que Francieli Gonçalves Colman, 25 anos, não reclamou de dores ao receber alta da unidade e defendeu que não houve erro médico ou negligência no atendimento.

Ela passou por cesárea em 27 de dezembro, mas teve complicações que levaram a uma embolia pulmonar e depois de três atendimentos no HR de Ponta Porã morreu na madrugada de 30 de janeiro, no Hospital da Vida, em Dourados.

A paciente chegou a ser transferida para a cidade próxima porque o HR não tem Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O marido dela, Otávio Franco Garcia, 23 anos, registrou boletim de ocorrência e a Polícia Civil investiga a morte da jovem. O casal tem dois filhos, um de pouco mais de um mês de vida e outro de quatro anos.

“A cirurgia (cesárea) foi bem sucedida e a paciente recebeu alta sem queixas no dia 31 de dezembro, em perfeitas condições de saúde, tanto ela como o seu bebê. Lamentamos o falecimento de Francieli e compreendemos a dor de seus familiares. Mas esclarecemos que não houve erro médico ou negligência em nenhuma das três oportunidades em que ela esteve no hospital”, informou a médica Patricia Caetano, diretora técnica da unidade.

Francieli chegou ser atendida em 16 de janeiro, conforme o hospital, com dores no pescoço. Houve medicação prescrita, mas sem internação. Não foi informado se foram feitos exames e qual o diagnóstico. Seis dias depois, ela voltou já com o quadro de embolia pulmonar.

“Diante da gravidade do quadro e da falta de Unidade de Terapia Intensiva no Hospital Regional, ela foi medicada e encaminhada no mesmo dia para o Hospital da Vida em Dourados, onde permaneceu internada por 8 dias e infelizmente faleceu no dia 30 de janeiro”, disse Patricia, por meio de nota.

A unidade hospitalar é do governo do Estado, mas está terceirizada para a Organização Social Instituto Gerir, em contrato com duração de cinco anos e valor global de R$ 116,6 milhões.

A FAMÍLIA

O marido de Franciele contou ao Portal Correio do Estado que o quadro diagnosticado era de depressão pós-parto.

“A cesária foi às 8h do dia 28, sem nenhum problema. No outro dia, às 17h, quando fui visitar minha esposa ela reclamava de dores nas costas e no tórax. Fui embora e minha irmã ficou como acompanhante. Três horas depois, minha irmã me ligou dizendo que a Francieli gritava de dor. Fizeram exame de sangue e raio-x, mas nunca tivemos acesso ao resultado. Médicos diziam que não era nada, apenas depressão pós-parto”, detalhou.

Otávio reclamou que oito médicos atenderam a esposa dele, mas nenhum conseguiu identificar qual era o quadro de saúde dela.

“Vou recorrer à Justiça. Minha mulher passou por uns oito médicos. Como nenhum suspeitou sobre o que ela tinha? É só digitar na internet que a gente encontra os sintomas que ela tinha relacionados à gravidez. Fizeram a gente acreditar que fosse depressão. Depois que a Francieli morreu, fui procurar e achei a informação. Será que são tão leigos assim?”, criticou.

LEIA NOTA DO HOSPITAL

“No dia dia 27 de dezembro de 2016, Francieli Gonçalves Colman deu entrada no Hospital Regional Dr. José de Simone Netto para a realização de cesárea. A cirurgia foi bem sucedida e a paciente recebeu alta sem queixas no dia 31 de dezembro, em perfeitas condições de saúde, tanto ela como o seu bebê.

Duas semanas depois, no dia 16 de janeiro de 2017, a paciente retornou ao Hospital, relatando dores no pescoço. Foi atendida, medicada e liberada no mesmo dia.

No dia 22 de janeiro, a paciente foi novamente ao Hospital, indicando possível quadro de embolia pulmonar. Diante da gravidade do quadro e da falta de Unidade de Terapia Intensiva no Hospital Regional, ela foi medicada e encaminhada no mesmo dia para o Hospital da Vida em Dourados, onde permaneceu internada por 8 dias e infelizmente faleceu no dia 30 de janeiro.

Lamentamos o falecimento de Francieli e compreendemos a dor de seus familiares. Mas esclarecemos que não houve erro médico ou negligência em nenhuma das três oportunidades em que ela esteve no hospital.

Dra. Patricia Caetano

Diretora técnica”

Francieli Colman tinha 25 anos e deixou dois filhos, um de 4 anos e outro de pouco mais de 1 mês - Foto: Reprodução/Facebook