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domingo, 18 de outubro, 2026

Pontaporanense atua como voluntária nos Jogos Olímpicos

23/08/2016 17h

Gabriela Vieira falou de sua experiência destacando a organização e integração com voluntários de outras regiões do país e estrangeiros.

O Progresso

A pontaporanense Gabriela Vieira, 29 anos, que reside atualmente no Rio de Janeiro (RJ), trabalha com terapias naturais, especialista em Acupuntura, Terapia Ortomolecular e Homeopatia, aceitou o desafio e trabalhou como voluntária no maior evento esportivo do mundo.

Gabriela Vieira falou a reportagem de O Progresso, sobre sua experiência enquanto voluntária nas Olimpíadas do Rio de janeiro, que reuniu atletas de 236 países durante vinte dias de competição, transformando a capital fluminense em uma verdadeira Babel Olimpica.

“Quando me inscrevi para ser voluntária dos jogos olímpicos Rio 2016 imaginava que seria uma experiência bacana, mas com certeza superou minhas expectativas. Participar desse evento de tão pertinho, tanto como voluntária quanto como espectadora foi sensacional, muito feliz pelo nosso país, que apesar de todos os problemas gerados, conseguiu fazer uma festa linda, digna da alegria do brasileiro” disse Gabriela.

Gabriel disse ainda que como voluntária, aprendeu muito, conheceu pessoas maravilhosas e teve sensações que nunca havia sentido antes.

Perguntada como surgiu o desejo de participar enquanto voluntária dos jogos e como foi o processo de seleção, a pontaporanense disse que foi incentivada por uma amiga que havia atuada como voluntária nos jogos Panamericanos e na Copa do Mundo.

“O processo de seleção teve inicio com uma inscrição no portal oficial dos Jogos Olimpicos, em seguida participei de um primeiro treinamento, onde puderam me conhecer melhor para decidir onde poderia me encaixar nos jogos. Me delegaram então um cargo como Intérprete de línguas, fiz uma entrevista online com a coordenadora do setor de línguas. Porém quando recebi a primeira carta-convite não pude aceitar pois meu cargo foi alocado em uma região muito distante da minha residência, após isso ainda recebi mais 3 cartas convites que também não pude aceitar pela localização ou também pela escala ou carga horária que deveria se encaixar com minha agenda de trabalho que pretendia conciliar juntamente com o voluntariado” explicou Gabriela, salientando que “Até que recebi um convite da instalação do Forte de Copacabana, local próxima a minha casa e com uma escala de dias e horários em que conseguia me encaixar. Trabalhei então no centro de comunicações da instalação (VCC), onde operávamos todos os canais de rádio da instalação, que recebeu as competições de ciclismo, maratona aquática e triathlon, esses esportes exigem uma logística muito complexa já que há a necessidade de fechamento de ruas e perímetros urbanos, este tipo de sistema de rádio é novidade no Brasil que nunca havia recebido um evento de tão grande porte e foi de suma importância para o sucesso das competições, por isso me sinto muito privilegiada por ter feito parte disso. Vou atuar também nos Jogos Paralímpicos, agora sim como intérprete nas competições de Vela na Marina da Glória”.

Ela destacou a forte e rica experiência de integração com os demais voluntários do Forte Copacaba. “Na minha equipe tínhamos uma sul africana, pessoas do Brasil inteiro, e também muitos cariocas, trabalhamos diretamente com os coordenadores do COI de cada modalidade esportiva, todos estrangeiros também. Posso dizer que conhecer essas pessoas foi um dos grandes ganhos dessa experiência, com certeza aprendi muito com cada uma delas”.

Com uma extensa lista de lugares que já conheceu, o perfil dinâmico de Gabriela Vieira contribuiu para o sucesso do trabalho voluntário. “Com certeza a experiência de viajar bastante ajudou na interação com os estrangeiros, principalmente com relação a língua, falar inglês e espanhol ajuda bastante” frisou.

Para Gabriela Vieira os jogos tiveram seu lado positivo, apesar das desconfianças preliminares e deixa alguns legados. “Confesso que como quase todo brasileiro estava temerosa com relação ao sucesso dos jogos no Brasil.Tivemos grande problemas gerados a partir dessa escolha, acredito que ainda iremos sofrer sim, algumas consequências principalmente com relação ao dinheiro público que não foi bem administrado.Porém também temos que olhar pelo lado bom , no Rio de Janeiro principalmente grandes obras irão continuar beneficiando a população, como a extensão das linhas do metrô, a revitalização da região portuária que ficou maravilhosa, obras de trânsito, alguns estádios, dentre outras” afirmou, destacando que ” Tive a oportunidade de assistir a várias competições também, como espectadora pude usufruir das instalações dos jogos e estou feliz por tudo ter funcionado muito bem, e como moradora da cidade do Rio de Janeiro também fico feliz em poder aproveitar dessas melhorias que ficam para nossa cidade”.

Gabriela detalhou a sua atuação e falou da admiração pelos atletas dos esportes de resistência que pode acompanhar diretamente nos Jogos Olimpicos no Rio de Janeiro 2016. “Meu setor era interno, participava ativamente de todas as ações da instalação, porém não tive contato direto com os atletas, apenas nos bastidores da coletiva de imprensa que acontecia no meu prédio de atuação no final das competições” explicou, enfatizando que”Posso destacar a minha grande admiração pelos atletas das modalidades que pude acompanhar diretamente e aprender mais sobre esses esportes de resistência, é realmente muito difícil, eu não subo nem uma ladeira como eles sem ficar ofegante (risos)”.

No final Gabriela Vieira disse estar feliz em contribuir de forma voluntária e ter ajudado o país em um momento histórico.

“Muita gente me criticou quando decidi ser voluntária, até eu por algumas vezes tive receios, ´´ah mas vai trabalhar de graça…“ ou coisas do tipo, mas posso dizer que o que ganhei com essa experiência não tem preço, primeiramente tínhamos todo o suporte necessário, ganhamos uniformes, alimentação, transporte, ingressos para os jogos e todo tipo de motivação durante a atuação. Mas o que ganhamos de mais valor mesmo, foram as amizades feitas, contatos profissionais até, emoções e sensações que eu nunca havia sentido antes, e sem dúvida essa certeza de ter ajudado que esse evento tenha sido o sucesso que foi, estou muito feliz pelo nosso país que mostrou que sim, nós podemos!”

Com mais experiência a pontaporanense se prepara para mais um desafio e vai atuar como voluntária nos Jogos Paralimpicos do Rio de janeiro. “Vou atuar também nos Jogos Paralímpicos, agora sim como intérprete nas competições de Vela na Marina da Glória” afirmou Gabriela Vieira.

Gabriela Vieira atuou como voluntária nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. (Foto: Divulgação)