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domingo, 18 de outubro, 2026

Presídio de Ponta Porã confecciona 200 máscaras de proteção por dia

Internos podem falar com familiares por videochamada

30/04/2020 21h40 – Jornal che Fronteira

Diante da pandemia do Novo Coronavírus, o Estabelecimento Penal “Ricardo Brandão” (EPPP), em Ponta Porã, redirecionou a atividade do setor de costura, onde atualmente trabalham seis dos 551 internos que ocupam as celas do presídio.

As informações são do diretor da unidade, Carlos Eduardo Lhopi Jardim, que falou ao Jornal Che Fronteira, nessa semana, dando conta de que utilizando materiais doados pela Prefeitura Municipal de Ponta Porã, estão sendo produzidas 200 máscaras de proteção individual. As máscaras estão sendo doadas para profissionais do setor de Saúde e para unidades policiais, como a Guarda Municipal e a Polícia Militar. Outras atividades de trabalho, como a serralheria e a confecção de pincéis, vassouras, tijolos e lajotas estão temporariamente suspensas, acrescentou.

CLIMA SUAVE

Novamente superlotado, com 551 internos cumprindo penas em regime fechado, a saúde mental dos presos é sempre uma das preocupações da direção, sobretudo com a proibição das visitas, em vigor há mais de 40 dias. Mas, Jardim apontou que os internos estão plenamente conscientes do risco de contaminação e de que um caso sequer dentro da unidade seria perigoso para todos.

O diretor aproveitou para agradecer e parabenizar aos agentes penitenciários que continuam trabalhando, mesmo diante do risco constante de contaminação pela Covid-19.

VÍDEOCHAMADA

Carlos Jardim revelou, também, que os internos vêm recebendo mais tempo de banho de sol, para compensar outras limitações, e que, a partir dessa semana, os presos poderão falar com seus familiares por vídeochamada. A utilização do recurso respeita relação de pedidos, comportamento do interno, tempo de utilização, entre outras restrições relativas à segurança do estabelecimento.

SUPERLOTAÇÃO

A ampliação da unidade prisional na fronteira, inaugurada em dezembro de 2017, foi uma solução paliativa, já que as supostas 144 novas vagas, que supostamente elevariam em 80% a capacidade do presídio, hoje se mostram insuficientes. Isso com 551 internos, já que recentemente o espaço esteve ainda mais exíguo, com mais de 700 presos.

Contudo, o diretor afirma que a segurança está garantida, já que além de mais ampla, a penitenciária masculina de Ponta Porã está mais segura com um novo sistema de videomonitoramento. A unidade conta com 32 câmeras, incluindo uma do modelo speed dome, doada pelo Conselho da Comunidade, que tem capacidade de aproximação da imagem, permitindo a vigilância dos principais pontos do presídio pelos agentes penitenciários.

NOVOS PRESOS

O EPPP também mantém os cuidados preventivos nos casos de entrada de novos custodiados, que continuarão passando por triagem preliminar. O procedimento é feito no próprio setor de saúde da unidade penal. Em casos de suspeita, o interno recebe atendimento médico e é isolado da massa, se necessário. Nenhum caso foi registrado até o momento.

Mesmo sem visitas, os internos podem receber produtos deixados no local por seus familiares. Todavia, são sempre respeitados procedimentos para a higienização de produtos e objetos que entram nas unidades através de visitantes. Os materiais são desinfetados com uso de solução sanitizante de água com hipoclorito, ou higienizador compatível com o material. Além disso, está determinada a quarentena mínima de 24 horas antes da entrega aos internos, mesmo após a higienização.

O QUE PODE SER LEVADO

Somente serão admitidos objetos e produtos para entrega aos presos que sejam de primeira necessidade, sendo eles os de uso pessoal, higiene e limpeza (que não ultrapassem a quantidade suficiente para o consumo pelo prazo de um mês) e medicamentos com prescrição médica. Alimentos prontos ou “in natura” estão proibidos neste período.

No caso de roupas, colchões e demais objetos de uso pessoal serão admitidos somente para os internos em período de inclusão, ressalvados os casos de justificada necessidade, cuja avaliação deverá ser realizada pela direção da unidade em conjunto com o setor psicossocial, com o devido registro no sistema oficial da Agepen – o Siapen. (Edmondo Tazza – MTE/MS 1266)

Presídio de Ponta Porã confecciona 200 máscaras de proteção por dia