23 C
Ponta Porã
sábado, 17 de outubro, 2026

Professor que estava preso toma posse como vereador e gera polêmica

25/01/2017 06h40

Ele responde por troca de imagens pornográficas em Mococa, SP.

G1

A posse de Marcelo Fuschilo (PSD) como vereador na Câmara Municipal de Mococa (SP) gerou polêmica na cidade. Ele era suplente de Eduardo Ribeiro Barison (PV), que pediu licença para assumir o Departamento Municipal de Saúde.

Preso em dezembro por suspeita de pedofilia, o professor obteve liberdade provisória e responde processo por troca de imagens pornográficas. A defesa dele afirma que ele recebeu fotos e nenhuma foi tirada por ele. (veja abaixo o posicionamento).

Críticas

A posse aconteceu no último dia 17 e, desde então, virou tema de discussões entre moradores. Alguns demonstraram descrença com a notícia e outros criticaram a medida na página “De Olho Na Câmara Mococa”.

“Que vergonha”, postou uma internauta, seguida por comentários como “Mococa cada vez mais se afundando”, “vergonha de ser mocoquense”, “indignação” e “ridículo”.

“O impacto foi grande”, contou o microempreendedor Guilherme Ferracioli. “Não é contra a pessoa, é a situação. O cara acaba de sair da cadeia e assume como vereador como se nada tivesse acontecido. A gente tinha que ter um mínimo de vergonha na cara”, criticou.

Para ele, o correto seria esperar o julgamento do caso e, comprovada a inocência, haver a posse. “A cidade já está sem prefeito e agora mais essa”, desabafou.

Defesa

Advogado de Fuschilo, Orestes Mazieiro afirmou que o professor foi preso para que a polícia investigasse o caso e que a medida é comum em ocorrências do tipo para que o suspeito não destrua eventuais provas.

Ele disse que foram encontradas fotografias de adolescentes enviadas para o celular de Fuschilo, entre elas montagens, e que nenhuma imagem foi tirada pelo professor. “Ele não teve contato pessoal nenhum”, defendeu.

Mazieiro também enfatizou que o que será analisado pela Justiça se refere ao âmbito particular, que não aconteceu nada em salas de aula ou com alunos.

Por fim, afirmou que a acusação de assédio sexual deixou de existir e que seu cliente responde pelo artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Nesse trecho, o ECA estipula as sanções para quem vende, compra, publica, troca ou transmite foto ou vídeo que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. A pena varia de três a seis anos de reclusão e multa.

Procurado pelo G1, Fuschilo informou que preferia se posicionar apenas através de seu advogado.

Entenda o caso

Fuschilo foi preso em 15 de dezembro por suspeita de pedofilia. Na época, ele atuava como professor do Sesi e a Polícia Civil informou que havia encontrado em sua casa computadores e um celular com imagens de crianças e adolescentes sem roupas. Disse ainda que o suspeito trocava as imagens com outras pessoas.

Ele foi levado para a cadeia de Casa Branca e foi transferido para Sorocaba, de onde saiu após um pedido de Mazieiro.

“O juiz entendeu que era caso de liberdade provisória”, disse.

Segundo o advogado, Fuschilo será intimado para apresentar sua defesa e, enquanto o caso não for julgado, pode exercer qualquer função. “Ele não foi condenado a nada”, reforçou.

(Foto: Divulgação/Câmara Municipal)