O resultado da votação foi anunciado pelo vice-presidente do partido, o ex-governador de Goiás Marconi Perillo, candidato ao Senado.
04/08/2018 12h55 – Congresso em Foco
Em convenção nacional, o PSDB confirmou neste sábado o lançamento da chapa presidencial encabeçada por Geraldo Alckmin (PSDB) e a senadora gaúcha Ana Amélia (PP). Esta é a segunda vez que Alckmin concorrerá à Presidência da República. Em 2006, ele chegou ao segundo turno, mas perdeu a disputa em segundo turno para o ex-presidente Lula, então reeleito.
O resultado da votação foi anunciado pelo vice-presidente do partido, o ex-governador de Goiás Marconi Perillo, candidato ao Senado. A candidatura de Alckmin recebeu 288 votos favoráveis, um contrário e uma abstenção. Entre os presentes ao evento está o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Também foram aprovadas a coligação com oito partidos (DEM, PP, PR, PRB, PSD, PTB, PPS e Solidariedade) e a indicação da senadora gaúcha como vice.
Ao escolher Ana Amélia, Alckmin aposta na atração do numeroso eleitorado conservador da região Sul que, até agora, tem pendido para Jair Bolsonaro (PSL) e Alvaro Dias (Podemos). Tenta reforçar, ainda, o apoio do agronegócio e o caráter antipetista de sua campanha.
Governador de São Paulo por quatro mandatos, Alckmin deixou o Palácio dos Bandeirantes em abril com 36% de aprovação popular, segundo o Datafolha. Para 40%, sua última gestão foi regular. Outros 22% a avaliaram como péssima ou ruim. Ao renunciar ao mandato, perdeu o foro privilegiado e passou a ser investigado pela Justiça eleitoral de primeira instância devido a uma delação premiada de executivos da Odebrecht.
Alckmin é suspeito de ter recebido R$ 10,7 milhões em caixa dois do chamado departamento de propina da empreiteira. “Jamais pedi recursos irregulares em minha vida política, nem autorizei que o fizessem em meu nome. Jamais recebi um centavo ilícito”, respondeu pelo Twitter após a divulgação do caso.
Nessa sexta-feira a força-tarefa da Lava Jato denunciou o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza e outros 32 investigados por cartel e fraude à licitação no Rodoanel Sul e sistema viário metropolitano da capital paulista.
O cartel, segundo a denúncia, operou entre 2004 e 2015, nos governos tucanos de Alckmin e José Serra. Apontado como operador do PSDB, Paulo Vieira é acusado de movimentar mais de R$ 100 milhões em contas ocultas na Suíça. Ele foi preso e solto duas vezes pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em junho o então presidente da Companhia Energética de São Paulo, Laurence Casagrande, que foi secretário de Transportes do tucano, foi preso acusado de desviar recursos no Rodoanel Trecho Norte, no âmbito da Lava Jato.
Depois de enfatizar um discurso pela ética e pela moralidade na coisa pública durante os governos do PT, Alckmin está aliado agora a partidos que deram sustentação aos ex-presidentes Lula e Dilma e que foram cruciais para o impeachment da petista. Essas legendas, como o PR, o PTB e o PP, do chamado Centrão estão no centro de escândalos políticos como o mensalão e o petrolão. Também ajudaram a eleger e a sustentar o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Lava Jato. Alckmin diz que o Centrão vai mudar em seu governo porque ele terá “rigor ético”.


