Quanto os cassinos arrecadam no mundo e o que o Brasil pode aprender

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Cassinos movimentam centenas de bilhões de dólares por ano em jurisdições regulamentadas. Entender esses números é essencial para o debate brasileiro sobre a legalização dos cassinos físicos, que permanece travado no Senado enquanto o mercado de apostas online já opera sob licenciamento federal desde janeiro de 2025.

Nevada encerrou 2025 com receita bruta de jogos (GGR) de quase US$ 15,8 bilhões, o quinto ano consecutivo de recorde. Na Ásia, Macau reportou GGR anual de US$ 30,8 bilhões, alta de 9,1% em relação a 2024.

Na América Latina, os cassinos e bingos terrestres licenciados da Colômbia enviaram COP 378,3 bilhões (US$ 104,8 milhões) ao sistema de saúde do país em 2025. Esses benchmarks mostram que, quando aliada a regulação rígida e alocação social transparente, a indústria de cassinos gera receitas auditáveis e benefícios públicos mensuráveis.

Lições para o Brasil e o avanço do mercado de apostas

No Brasil, a regulamentação de apostas online avançou com a entrada em vigor da Lei 14.790/2023. O mercado regulado começou oficialmente em 1.º de janeiro de 2025, com operadores obrigados a obter licença federal junto à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Em dezembro de 2025, o Senado aprovou o PLP 128/2025, que eleva gradualmente a alíquota sobre a GGR das operadoras de apostas de 12% para 15% até 2028.

A assimetria regulatória entre o digital e o físico

Enquanto o canal digital já funciona com regras claras e arrecadação crescente, o cassino online cresce enquanto Brasil adia legalização dos físicos. O plenário do Senado rejeitou, por 36 votos a 28, o pedido de urgência para o projeto de lei dos cassinos terrestres (PL 2.234/2022), e não há data definida para a votação. Essa assimetria regulatória cria um vácuo: o jogo online é tributado e fiscalizado, mas o cassino físico segue proibido desde 1946. Jogue com responsabilidade.

Os modelos globais de receita

Para entender o potencial de arrecadação dos cassinos físicos, vale observar três modelos distintos.

Nevada

Nevada gerou US$ 1,35 bilhão em receita de jogos somente em novembro de 2025, alta de 2,4% na comparação anual, segundo o Nevada Gaming Control Board. O estado norte-americano é referência mundial por combinar um ecossistema diversificado de entretenimento, hotelaria e gastronomia com uma cultura rigorosa de compliance. Dados do Nevada Gaming Control Board mostram que a estrutura regulatória do estado funciona como modelo para novas jurisdições.

Macau

Em Macau, os impostos sobre jogos representaram 83,7% da receita total do governo no acumulado de janeiro a outubro de 2025, com operadores pagando uma alíquota efetiva de 40% sobre a GGR.

Essa dependência fiscal evidencia tanto a força arrecadatória do setor quanto a necessidade de diversificação econômica.

Colômbia

Na Colômbia, os cassinos terrestres enviaram COP 378,3 bilhões (US$ 104,8 milhões) ao sistema de saúde subsidiado em 2025, alta de 9,3% em relação ao ano anterior, respondendo por 39% da arrecadação total do setor de jogos.

Segundo Marco Emilio Hincapié, presidente da Coljuegos, esse avanço foi possível graças à estratégia contra a ilegalidade: durante 2025, a Coljuegos apreendeu 3.047 dispositivos ilegais em 95 operações em 15 departamentos.

O que move os números: diversificação e investimento

Receita de cassinos não vem apenas das mesas de jogo. Em Nevada, hotéis, shows e gastronomia compõem um ecossistema que atrai turistas mesmo sem interesse em apostar.

O Hard Rock Casino Tejon, inaugurado na Califórnia em novembro de 2025 com investimento de US$ 600 milhões, criou mais de 1.000 empregos permanentes e 5.000 vagas na construção civil. A segunda fase prevê hotel de 400 quartos e arena para 2.800 pessoas.

Projetos como esse ilustram o efeito multiplicador dos resorts integrados: construção civil, cadeia de fornecedores, turismo de eventos e geração de impostos municipais. O ponto de atenção, porém, é que manchetes sobre grandes prêmios individuais são anedotas, não política pública. A lição séria está nos fluxos rastreáveis, auditados, e no financiamento de programas de jogo responsável.

Um roteiro viável para o Brasil

Se o Brasil quiser transformar dados globais em política funcional, especialistas apontam um caminho: emitir número limitado de licenças para resorts integrados, adotar tributação baseada em GGR para manter o canal legal competitivo e destinar parcela clara da arrecadação para saúde, educação e esporte.

O relator do PL 2.234/2022, senador Irajá Abreu, estima que a legalização poderia gerar R$ 20 bilhões anuais em tributos, assim como as apostas esportivas.

O debate sobre a regulamentação de apostas online no Brasil já mostrou que é possível construir um arcabouço com KYC, prevenção à lavagem de dinheiro, padrões de publicidade e autoexclusão. Falta aplicar a mesma lógica ao jogo presencial.