Redação: Bruna Bozano
O Natal de 2023 não foi um dos melhores para o varejo físico.
Houve queda de 1,4% nas vendas, em relação a 2022, e o volume das transações foi o menor desde 2020 – quando ocorreu o início da pandemia. As informações provém do Indicador de Atividade do Comércio, elaborado pela mesma empresa que oferece o Serasa Certificado Digital, utilizado para a geração de notas fiscais e documentações da maioria das microempresas do Brasil.
No fim de semana anterior ao Natal, a queda das vendas foi de 10,7% em relação ao mesmo período de 2022. O percentual é considerado bastante alto, mas é plausível levar em conta que o dia 24 caiu em um domingo – data em que muitos comércios realizam o encerramento de suas atividades mais cedo.
Luiz Rabi, economista da Serasa, acredita que um dos motivos da queda nas vendas também foi a forma como os consumidores decidiram lidar com suas finanças no final do ano: “Com a inadimplência marcando números recordes este ano, a prioridade dos consumidores foi a reestruturação financeira ao optarem por utilizar o 13° salário para o pagamento e renegociação de dívidas, deixando as compras e presentes de Natal em segundo plano”.
Quem não abriu mão de comprar um presente para namorada(o), mãe, pai, filhos e/ou outras pessoas especiais, ficou de olho nas oportunidades mais interessantes e realizou muita pesquisa antes de digitar a senha do cartão na maquininha Pagseguro.
O consumo mais consciente certamente foi um dos fatores que impactou na redução do número de vendas e, também, no valor médio das transações.
A movimentação negativa em relação ao ano anterior não ocorreu apenas no Natal.
Vale lembrar que a Black Friday de 2023 também foi bastante frustrante para os comerciantes.
Comparando as vendas com o mesmo período de 2022, a queda foi ainda maior do que a que ocorreu durante o Natal. Foram 15,1% menos vendas concluídas, de um ano para o outro.
Geração Z Representa Mudanças nos Hábitos de Consumo
Nascidos entre 1995 e 2015, os representantes da geração Z também são responsáveis pela mudança dos resultados das vendas na Black Friday e do Natal do varejo físico, este ano.
Impulsionados por um comportamento quase integralmente digital e tecnológico, os “jovens” que já nasceram em um mundo totalmente informatizado, não se atentam tanto às vitrines coloridas e cheias de pisca-piscas.
Perguntar ao Google quais são os melhores perfumes masculinos da estação é, certamente, mais simples do que ir até uma loja física e experimentar um perfume que será dado de presente – afinal, quem garante que o gosto do comprador terá alguma relação com o gosto do presenteado?
É aí que as vendas do varejo migram do universo físico para o digital, e deixam os varejistas convencionais, um tanto preocupados.
Enquanto o varejo físico precisou lidar com as perdas, os e-commerces venderam 2,4% a mais no Natal 2023, segundo informações do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA).
Perfil de Consumo: Novas gerações optam por escolhas mais conscientes
Embora os presentes sejam o foco principal durante as épocas de grandes volumes para o varejo, é relevante citar que em épocas de festas é comum que as pessoas também invistam na própria imagem – e os valores aplicados em compras para si costumam ser maiores do que nas compras de presentes para outras pessoas.
Nos últimos anos, as novas gerações também estão olhando para isso com outros olhos.
Uma projeção da Boston Consulting Group (BCG), indicou que o mercado de roupas e acessórios usados e semi novos deve crescer de 15% a 20% até 2030, e essa movimentação foi realmente notória durante as vendas de fim de ano.
Muitas pessoas optaram pelos brechós quando foram procurar roupas para passar as festas de Natal e, principalmente, de Réveillon.
Uma bolsa Louis Vuitton original usada algumas vezes por alguém, pode custar dez vezes menos do que uma bolsa nova, e o efeito nos looks das noites de celebração é o mesmo.
Vestidos e roupas brancas podem ser muito pouco utilizados pelas pessoas ao longo do ano, mas sempre são requisitados na “Festa da Virada”.
Quem comprou uma roupa focando apenas no Réveillon, geralmente não pretende utilizá-la por dois anos consecutivos, e vender para um brechó é uma opção interessante. Quem se dá conta disso, acaba escolhendo por comprar muitas coisas nesses tipos de comércio, também.
No efeito das estatísticas, muitas vezes, os números desses negócios não entram na contagem – até porque, muitos deles, ainda operam na informalidade – mas, certamente, há um impacto deste novo mercado nos números relacionados às vendas do último ano.
Quanto mais o mercado sustentável e de moda circular ganhar espaço (o que já vem acontecendo, a passos largos), menores podem se tornar os números do comércio tradicional.

