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quarta-feira, 6 de maio, 2026

Quem cuida do ar que respiramos? por J. A. Puppio

A qualidade do ar é uma responsabilidade coletiva e exige ação coordenada entre governo, indústria e sociedade. Ainda assim, na prática, essa agenda costuma ficar diluída entre diferentes setores, sem a organização necessária para gerar avanços consistentes.

Nos grandes centros urbanos e em regiões industrializadas, os impactos da poluição atmosférica são cada vez mais evidentes. O aumento de doenças respiratórias, a sobrecarga dos sistemas de saúde e a piora na qualidade de vida da população são alguns dos efeitos mais visíveis de um problema que, muitas vezes, permanece invisível aos olhos.

Diante do problema, é natural buscar responsáveis.

O poder público tem papel determinante na formulação de políticas, na regulação e fiscalização. Cabe ao Estado estabelecer limites de emissão, incentivar tecnologias mais limpas e garantir que a expansão urbana e industrial ocorra de forma sustentável.

A indústria, por sua vez, também exerce uma função decisiva. Ao investir em eficiência energética, inovação e modernização de processos, o setor produtivo não apenas reduz seu impacto ambiental, como também contribui para a construção de um modelo de desenvolvimento mais equilibrado. Em muitos casos, esses avanços já estão em curso, impulsionados tanto por exigências regulatórias quanto por demandas de mercado.

Mas essa equação não se fecha apenas com governo e empresas. A sociedade também tem um importante papel, seja por meio de escolhas de consumo mais conscientes, seja pela cobrança por políticas públicas mais eficazes. A forma como nos deslocamos, consumimos energia e nos posicionamos em relação a temas ambientais influencia diretamente a qualidade do ar.

Ainda assim, há um ponto importante que precisa ser reconhecido. Mesmo com esforços em andamento, a melhoria da qualidade do ar é um processo gradual. Mudanças estruturais levam tempo, exigem investimentos e dependem de múltiplos fatores.

É nesse intervalo entre o diagnóstico e a solução que surge uma lacuna pouco debatida. Como proteger a população enquanto as transformações necessárias ainda estão em curso?

A resposta passa pela combinação entre ações estruturais e medidas de proteção imediata. Em ambientes com maior exposição a poluentes, como grandes centros urbanos, regiões afetadas por queimadas ou determinados setores produtivos, a adoção de práticas de prevenção pode fazer diferença concreta na saúde das pessoas.

O uso de máscaras de proteção respiratória, especialmente em situações de maior exposição à poluição, poeira ou fumaça, é uma dessas medidas. Quando utilizadas de forma adequada, elas ajudam a reduzir a inalação de partículas nocivas e funcionam como uma barreira importante para a preservação da saúde.

A proteção respiratória deve ser compreendida como uma aliada, e não como uma solução isolada. Ela não substitui políticas públicas nem reduz a responsabilidade dos diferentes agentes envolvidos, mas oferece uma camada adicional de segurança em situações de risco.

Mais do que reagir a crises pontuais, é preciso avançar na construção de uma cultura de prevenção. Isso inclui ampliar o acesso à informação, incentivar boas práticas e reconhecer que a qualidade do ar impacta diretamente o bem-estar coletivo.

Ao final, a pergunta que dá título a este debate, “quem cuida do ar que respiramos?”, não tem uma resposta única. Ela exige um compromisso conjunto, no qual cada agente tem um papel claro a desempenhar.

Garantir um ar mais limpo é, sem dúvida, um desafio complexo. Mas proteger a saúde da população, enquanto esse objetivo não é plenamente alcançado, é uma responsabilidade que não pode esperar.

*J. A. Puppio é empresário e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”