30/07/2016 06h20
Delegada que investiga morte de criança disse que todos choraram
Correio do Estado
A brutalidade com que menina de três anos foi tratada pelos tios, antes de morrer, abalou o emocional dos profissionais do hospital, dos policiais, do Ministério Público Estadual e da delegada Paula Ribeiro dos Santos Oruê.
A policial civil, mesmo acostumada a lidar diariamente com a violência, declarou nunca ter trabalhado em caso tão chocante.
“Eu tive até que parar o interrogatório durante um tempo porque a carga emocional era muito pesada”, contou a delegada, que teve contato com a menina enquanto ela ainda estava no Hospital da Vida.
Quando foi internada, a garota apresentava vários ferimentos característicos de agressão, mas a versão dos tios era de acidente.
“Vimos os ferimentos porque a gente precisa fotografar e até falei: ‘a tia está aqui, vai ficar tudo bem’. Os policiais ficaram muito emocionados e toda equipe do hospital estava bastante abalada, com lágrimas nos olhos pelo estado da criança”, lembrou.
A menina foi submetida a exame necroscópico para atestar a causa da morte e o resultado deve ficar pronto em 10 dias.
INTERROGATÓRIO
Na delegacia, Vanilson Espíndola Agueiro e a mulher dele, Roseane Peixoto, ambos de 28 anos, mantiveram a versão do acidente de bicicleta e ainda justificaram outros ferimentos.
Sobre machucados na região genital da vítima, Roseane alegou que a criança foi até fogão onde estava chaleira quente e acabou virando o recipiente, ferindo-se.
A tia também usou escova de lavar roupas para dar banho na menina e declarou que a intenção era “ensinar a criança a pedir para fazer necessidades”. A garota não conseguia andar porque estava com a perna quebrada.
Conforme a delegada, o casal tinha a guarda da menina desde o dia 2 de dezembro de 2015. O paradeiro da mãe dela é incerto e as informações são de que ela é usuária de drogas.
O CASO
Menina de três anos morreu ontem (28) à noite depois de ser estuprada e espancada. Durante as agressões, a criança teve a perna quebrada e a demora em buscar atendimento médico resultou em necrose. Os suspeitos das agressões são os tios dela, Vanilson Espíndola Agueiro e Roseane Peixoto.
A violência acontecia desde segunda-feira (25), na Aldeia Bororó, reserva indígena de Dourados.


