22 C
Ponta Porã
domingo, 18 de outubro, 2026

Repasse milionário: Missão diz que dinheiro é para gestão na saúde indígena

10/08/2016 15h40

Segundo publicado pelo Portal da Transparência e divulgado hoje (10) pela manhã no Dourados News, só em 2016 a ONG recebeu recursos na ordem de R$ 312,7 milhões

Douradosnews

Representantes da Missão Evangélica Caiuá disseram ao Dourados News que o dinheiro angariado pela ONG (Organização Não Governamental) através do governo federal é utilizado para gestão na saúde indígena e não na execução de programas voltados às comunidades.

De acordo com o coordenador geral dos convênios entre o poder público e a entidade, Demetrius do Lago Pareja, a Missão atualmente é responsável em contratar pouco mais de 9 mil pessoas para atuar na saúde básica.

“Todos os recursos repassados para nós são único e exclusivo para a gestão de atendimento na saúde indígena em 19 distritos. Todos esses valores correspondem ao Mato Grosso do Sul e outras localidades. São mais de 9 mil pessoas empregadas com carteira assinada em todo a área de atuação”, contou Pareja, que esteve acompanhado do coordenador de mobilização social, Wilson Matos.

Segundo publicado pelo Portal da Transparência e divulgado hoje (10) pela manhã no Dourados News, só em 2016 a ONG recebeu recursos na ordem de R$ 312,7 milhões, dos quase R$ 497.522.507,77 milhões previstos para o ano todo, relembre aqui. Para efeito de comparação, o valor destinado pelo governo federal para a saúde indígena é 11 vezes superior ao que, por exemplo, recebe a saúde pública em Dourados, R$ 28,3 milhões este ano.

Do valor, segundo planilha disponibilizada pelo diretor, R$ 47,4 milhões ficam em Mato Grosso do Sul, onde são contratados 778 profissionais, entre eles 31 médicos, 71 enfermeiros, 37 dentistas e 232 agentes de saúde.

“Nós trabalhamos com tudo auditado, não há possibilidade desses recursos. Os valores são para gestão, ou seja, o utilizo para pagamento de funcionários e insumos como material de escritório, aluguel, despesas básicas como telefone, água, luz e outras despesas administrativas como salário de pessoal que atua nos três escritórios que mantemos no município”, relatou o coordenador, pontuando em seguida, “não é nossa função levar água à população e nem adquirir medicamento”.

HOSPITAL DA MISSÃO

Ainda conforme Pareja, o convênio entre Missão Caiuá e o governo federal também não contempla os atendimentos no Hospital Porta da Esperança, local voltado à população indígena. Os recursos para manter a unidade de saúde, segundo o coordenador, chegam através do Município, Estado e doações de colaboradores, entre eles a Igreja Presbiteriana.

“Estamos inclusive com o pagamento atrasado no hospital porque os recursos para mantê-lo são poucos. Os trabalhadores que ali estão não tem nenhuma ligação com os contratados pela ONG”, relatou.

Repasse milionário: Missão diz que dinheiro é para gestão na saúde indígena