29/03/2014 14h50
Retorno da SEP trás de volta a lembrança da tragédia do Aral Moreira.
Em 1992, morte no jogo SEP x Operário marcou início da trajetória do fotógrafo Raul Rodriguês.
G 1 MS
A volta ao cenário esportivo do Mato Grosso do Sul da SEP (Sociedade Esportiva Pontaporanense), trás de volta a cena histórica do lamentável fato ocorrido no estádio Aral Moreira em 1992, novo entre Operário de Campo Grande x SEP, onde após uma briga generalizada veio a acabar com a morte do jogador Eduardo do Operário, que foi violentamente agredido com uma pedrada no peito.
Na época o fotógrafo Raul Rodrigues que trabalha há 22 anos registrando os principais momentos do futebol sul-mato-grossense estava presente e também registrou s fatos. Hoje ele vive de congelar sentimentos, mas se pudesse voltar no tempo, Raul talvez tentaria evitar a maior tragédia em um campo de futebol em Mato Grosso do Sul: a morte do lateral-direito Eduardo, do Operário-MS, durante uma briga generalizada no jogo de volta da semifinal do estadual de 1992, entre Operário-MS e Pontaporanense. Um confronto tenso, antes mesmo de a bola rolar. E que acabou marcando o início da trajetória profissional de Raul.
- Era um jogo que Ponta Porã tinha uma expectativa muito grande, era um time jovem, formado essencialmente por jogadores ali da cidade mesmo, e que enfrentava o Operário, mais experiente. Criou-se para o jogo uma atmosfera muito pesada – lembra o jornalista Antônio Marcos Esprícido, que à época cobria a partida como radialista.
À beira do gramado, fotógrafo e radialistas viram torcedores invadirem o campo para pressionar o time adversário. Em pouco tempo, o jogo deu lugar a uma batalha campal.
- Ninguém nem viu quando ele [Eduardo] foi atingido, nem eu consegui ver. Não consegui registrar essa imagem, quando eu cheguei ali e já estava em óbito – conta Raul, em entrevista à TV Morena.
Imagens de arquivo da TV Morena mostram o momento exato em que um torcedor sem camisa atinge Eduardo na cabeça com um tijolo. Foi a primeira e única morte dentro de um estádio em Mato Grosso do Sul.
- Infelizmente, toda vez que me perguntarem como começou, tenho que falar que começou na minha cidade, com o óbito do jogador da equipe que eu torço, do Operário Futebol Clube – diz o fotógrafo.
O futebol virou sua inspiração, como a do tio dele, Liberato Rodrigues, que o ensinou a fotografar.
- Tem que gostar para poder fazer um serviço bem feito. Você tem que pegar a imagem com boa vontade, sincero – diz o tio.
Pelas contas de Raul, mais de 5 mil fotos já foram vendidas. Uma delas ele guarda em especial.
- Com certeza é a foto do gol do Brasil contra o Uruguai em 1993, valendo pelas eliminatórias da Copa do Mundo. O Brasil precisava muito ganhar e a imprensa do mundo inteiro estava no Maracanã, 130 mil pessoas presentes esperando a classificação do Brasil para os Estados Unidos, onde ele seria campeão do mundo – conta.
No Morenão, Raul é referência. Este ano, ele completou 500 jogos de cliques no maior estádio de Mato Grosso do Sul. É fácil encontrá-lo em campo: o chapéu é a marca registrada, assim como os troféus e brindes que ele entrega aos melhores jogadores em campo.
- Raul é um anjo que ajuda a gente em tudo. Às vezes está aquele calor danado e o Raul aparece com um copo de água, além de tudo é um grande profissional. Quando você precisa de imagem, ele tem tudo. É alguém que sem ele no futebol, fica faltando alguma coisa – diz o radialista Joel Silva.



