12/07/2017 06h50
Pioneiros do Projeto Rondon foram homenageados por proposição do deputado Onevan de Matos.
Agência ALMS
Já se passaram meio século desde que os pioneiros do Projeto Rondon desbravaram lugares até então pouco explorados do Brasil levando atendimentos diversos, especialmente em saúde, a famílias em situação de vulnerabilidade. A trajetória do projeto e de personagens que marcaram essa história foi relembrada durante sessão solene na Assembleia Legislativa, na noite desta terça-feira (11/7).
Ao todo, 23 pessoas foram homenageadas com o Diploma de Honra ao Mérito Comemorativo dos 50 anos do Projeto Rondon, por proposição conjunta do 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa, Onevan de Matos (PSDB), e da Associação Estadual dos Rondonistas de Mato Grosso do Sul.
“Trata-se de uma iniciativa nobre, um trabalho social que ajudou a integrar o nosso país, que tem dimensões continentais e necessidades diversificadas, levando desenvolvimento e bem-estar à população”, afirmou o deputado Onevan. Ele ressaltou a importância da parceria entre educadores, acadêmicos e as Forças Armadas, que oferecem o suporte logístico às ações. Lembrou que a iniciativa cria oportunidades para que os estudantes vivenciem o que estudam e para que as famílias assistidas recebam os atendimentos que precisam.
Também informou que atualmente o Projeto Rondon integra diversas pastas do Governo Federal, como os Ministérios da Defesa, Educação, Desenvolvimento Social e Agrário, Saúde, Meio Ambiente, Integração Nacional, Esporte e a Secretaria de Governo da Presidência da República. Além disso, ampliou a atividade acadêmica para outras áreas do conhecimento.
Segundo a professora Marilena Dias Barreto dos Reis, presidente da Associação Estadual dos Rondonistas, faltam investimentos para ampliar as atividades do projeto, que originalmente foi criado para proteger a Amazônia a partir da integração do País. O lema dos rondonistas é “Integra para não Entregar”. Com o passar do tempo, as atribuições foram sendo ampliadas e também contribuíram para o conscientizar a juventude. “E o que queremos para o futuro? Jovens fiéis aos seus direitos e que cumpram os seus deveres sociais”, disse.
“É o mais importante programa de inserção dos universitários na vida brasileira”, afirmou o coronel Nylson Reis Boiteux, um dos homenageados da noite, que defendeu os valores cívicos e morais como essenciais para o bom convívio social. Discursando em nome dos rondonistas pioneiros, o médico Alex Bortotto lembrou das experiências vivenciadas.
“Fizemos a diferença quando abdicamos das férias escolares para conhecer a realidade dos mais diversos rincões do Brasil, buscando melhorar a vida das pessoas. Trouxemos sábios ensinamentos de pessoas simples e fizemos amigos”. Já o professor José Reinaldo Teixeira, falou do legado do Marechal Rondon. “O projeto é uma tocha de brasilidade e, como dizia Rondon, segundo meu pai, que foi amigo dele, ‘morrer se preciso for, matar nunca’. Vamos fazer morrer a nossa vaidade, a nossa preguiça, e vamos fazer com que jamais matemos este grandioso projeto”, concluiu (veja a lista completa dos homenageados clicando aqui).
Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon (1865-1958), foi militar e sertanista brasileiro. Idealizou o Parque Nacional do Xingu e foi diretor do Serviço de Proteção ao Índio. Entre as inúmeras conquistas do marechal está a implantação de telégrafos no leste e sul do Mato Grosso, o que possibilitou a interação entre os estados de Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro com a região. Antes disso, para alguém do Mato Grosso entrar em contato com o Rio, por exemplo, era preciso navegar o Atlântico, passar pelo Rio da Prata e subir o Rio Paraguai. Não existiam estradas, nem outra forma de comunicação rápida.
História
Desenvolvido pelo Ministério da Defesa, em parceria com governos estaduais, municipais e Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas, o Projeto Rondon contribui para a formação do jovem universitário como cidadão e para o desenvolvimento sustentável nas comunidades carentes. A primeira operação, também chamada de Operação Piloto ou Operação Zero, realizada em julho de 1967, contou com a participação de 30 alunos e dois professores da Universidade do Estado da Guanabara (atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro), da Universidade Federal Fluminense e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Funcionando até 1989, e retomado a partir de 2005, o projeto realizou 76 operações, em 1.142 municípios de 24 unidades da federação, com a participação de 2.170 instituições de ensino superior e 21.436 rondonistas, alcançando cerca de 2 milhões de pessoas. Em função da grande cobertura territorial, o apoio das Forças Armadas é indispensável, proporcionando o suporte logístico e a segurança necessários às operações. Em 2016, 604 rondonistas desenvolveram ações em 29 municípios do Maranhão, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Espírito Santo. Outras informações podem ser obtidas no site oficial do Projeto Rondon: http://www.projetorondon.defesa.gov.br/portal.
- Com informações do Ministério da Defesa.



